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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Internacional

ISRAEL ATACA FAIXA DE GAZA E PREPARA NOVO MASSACRE NA REGIÃO

Estado judeu utiliza justificativa de retaliação para bombardear população civil de Gaza.

Mais uma vez Israel volta seus canhões para a Faixa de Gaza, bombardeia o território palestino e ameaça uma nova invasão, quase quatro anos após o massacre cometido entre 2008 e 2009 e que ceifou 1.400 vidas. A nova escalada de ataques contra a Palestina explodiu no dia 14 de novembro, com o assassinato de Ahmed al Jabari, dirigente do braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz el-Din al Qassam. O líder foi atingido por um míssil enquanto dirigia seu carro pelas ruas de Gaza, em uma série de ataques da operação “Pilar de Defesa”, impulsionada pelo Exército sionista.

O Hamas respondeu à agressão disparando foguetes contra Tel Aviv e o sul do país. Segundo autoridades israelenses, três pessoas morreram na cidade de Kyriat Malaji. Foi o que Israel esperava para desatar ataques ainda mais duros contra a população civil do território ocupado. A série de ataques a bomba deflagrada no dia seguinte, enquanto o dirigente do Hamas era sepultado, matou 19 pessoas, entre elas três crianças. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Nacional

Drama dos Guarani e Kaiowá expõe extermínio indígena no país

Indígenas ameaçados de despejo pela Justiça Federal estão encurralados entre pistoleiros e a omissão do Governo Federal

Ato em Brasília contra o genocídio da tribo.
Enquanto o país se distrai com o festival de mentiras e hipocrisia que domina o segundo turno das eleições municipais, uma verdadeira tragédia social ocorre com uma das comunidades mais visadas pela política de extermínio indígena, há décadas implementada no Brasil. Um grupo da tribo dos Guarani-Kaiowá, do município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, tem a sua existência ameaçada e grita por socorro.

Os 173 indígenas (50 homens, 50 mulheres e 73 crianças), acampados à margem do córrego Hovy desde agosto de 2011, enfrentam uma ordem de despejo da Justiça Federal de Naviraí (MS). Como se não bastasse isso, eles ainda sofrem com a miséria, as permanentes ameaças de pistoleiros a mando dos fazendeiros e o suicídio em massa provocado pelo abandono e a falta de perspectivas. Uma carta desesperada dos indígenas, encaminhada ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a parlamentares, expõe de forma dramática a situação a que estão submetidos os Guaranis-Kaiowás.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ocupação Pinheirinho

PSDB e PM dizem não haver mortos nem feridos. Até quando vão mentir?

Luciana Candido, direto de São José dos Campos (SP)

O governo de Geraldo Alckmin, a prefeitura do PSDB e a polícia insistem em dizer que a “desocupação foi tranquila”. Chegaram a dizer em entrevistas que não houve nem mortos e nem feridos na desocupação.

Afirmar que não houve feridos na ocupação é algo absolutamente ridículo. Basta andar por alguns minutos entre as pessoas que foram desalojadas pra perceber que o número de feridos é incalculável. São homens, mulheres e crianças que exibem marcas das balas de borracha e fragmentos de bombas de gás.

Há imagens, em fotos e vídeo, de pessoas feridas sendo transportadas aos hospitais (veja o vídeo abaixo). Há cenas da Guarda Municipal atirando com revólver do tipo 38 contra os moradores! Mas o governo e a prefeitura estão “blindando” as informações sobre as reais condições destes moradores feridos.

Um radialista divulgou um depoimento de uma moradora que relata ter visto criança gravemente ferida chegar ao Hospital Municipal. A violência foi tão grande que até o secretario nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, foi ferido na desocupação. Maldos foi atingido por uma bala de borracha disparada pela PM. O PSDB vair querer erconder isso também?

A reportagem constatou que há apenas um assessor de comunicação com permissão para falar sobre o número de feridos. Pedir informação em qualquer hospital significa ser despachado para falar com este funcionário. Constatamos que, mesmo jornalistas da grande imprensa, estão visivelmente irritados com a falta de informação.

Ou seja, a centralização é total e a mentira sobre que “não há feridos” é parte da ação militar. Vomitam mentiras para impedir que a opinião pública possa se voltar contra a ação criminosa do governo do PSDB. Assim, tratam os moradores do Pinheirinho pior do que tratam bandidos. Como informou o ex-capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel, na Rede Globo, teve mais policiais no Pinheirinho do que na ação de combate ao tráfico na Rocinha.

Para evitar o contato entre os moradores, a prefeitura de São José dos Campos isolou as famílias do Pinheirinho no Centro de Triagem montado na zona sul. A imprensa está impedida de entrar no local para entrevistar os moradores.

Muitos outros moradores também relatam que houve, sim, assassinatos por parte da polícia. Uma das histórias mais ouvidas aqui é de que havia três corpos dentro do acampamento. A OAB já está percorrendo os necrotérios.

Até quando que o PSDB e a polícia irão esconder a verdade? Onde estão os feridos e desaparecidos do Pinheirinho?

Desrespeito

Alckmin suja as mãos de sangue: PM massacra e mata pobres em São José dos Campos

Governo de São Paulo desacata ordem do judiciário federal e permite que Polícia Militar massacre o Pinheirinho

O que está acontecendo em São José dos Campos (SP), na ocupação do Pinheirinho, é um crime de proporções imensuráveis. Contra a orientação do Tribunal de Justiça Federal, que mandou suspender a desocupação, a Polícia Militar, cujo comandante em última instância é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), põe em curso um massacre a uma população de trabalhadores e crianças que comemoravam felizes a decisão federal. Em pleno domingo, dia 22, por volta das 6h da manhã, a polícia invadiu o Pinheirinho com helicópteros, blindados, armas de fogo, bombas de gás e pimenta e, no mínimo, 2 mil homens vindos de 33 municípios.

Até o momento, há informações de que existem sete mortos e muitos feridos. Zé Carlos, presidente do Sindicato dos Condutores, foi baleado na cabeça com tiro de borracha. Toninho Ferreira, advogado do Pinheirinho, foi ferido com uma bala de borracha nas costas. Helicópteros borrifam gás pimenta sobre a população. Todo o entorno está cercado, e a passagem é proibida. Sinais de internet e telefone estão sendo cortados. Fora do Pinheirinho, a PM ronda o sindicato dos metalúrgicos, intimidando pessoas que chegam de todos os lados para se solidarizar.

A arbitrariedade é tamanha que o senador da República, Eduardo Suplicy, o deputado Ivan Valente, o presidente do PSTU, Zé Maria, e o sindicalista Luís Carlos Prates ficaram sitiados, dentro de uma escola, impedidos de sair. E os responsáveis por esse crime têm nome. Em primeiro lugar, o sangue escorre nas mãos do PSDB. Geraldo Alckmin podia ter impedido, antes, mandado parar depois, mas não fez nada disso. O prefeito Eduardo Cury, também do PSDB, é responsável por sua negligência criminosa desde o início e recusa em negociar, inclusive com o governo federal. A juíza Márcia Loureiro foi quem ordenou diretamente o massacre e manteve uma intransigência cruel.

A operação é inquestionavelmente ilegal. Trata-se de uma verdadeira aberração jurídica. O judiciário federal já determinou que a operação fosse cancelada imediatamente, mas o judiciário estadual, aliado ao governo do Estado, insiste em manter o massacre. O comandante da PM que coordena a ação está acompanhado pelo juiz Rodrigo Capez, que o orientou a desobedecer a ordem federal, ou seja, o judiciário estadual acompanha pessoalmente a operação.

No momento em que o comandante recebeu a notificação, o desembargador reconheceu que sabia da decisão do Tribunal Regional Federal, que reconhece o interesse da União no processo e, portanto, a reintegração não podia acontecer. No entanto, ele simplesmente bateu o pé e diz que não reconhece e não acata essa decisão. O judiciário estadual está tentando resolver em campo de guerra uma batalha que só poderia ser definida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Estranhamos o nível de interesse nesse terreno, demonstrado pelos governos do PSDB, estadual e municipal, pelo Judiciário estadual, na figura da juíza Márcia Loureiro, e pela própria PM. É fundamental, nesse momento, que o governo federal se manifeste e faça valer as leis desse país. O governo de São Paulo ultrapassou todos os limites. Passou por cima do judiciário federal e do próprio governo federal.

Pinheirinho é uma questão de humanidade e de justiça social. O que dizer de um juiz que sai de casa num domingo de manhã para massacrar famílias? O que dizer de uma juíza intransigente, que pouco se importa com as vidas de adultos e crianças que serão destruídas? O que dizer de um governo que executa uma política racista no Estado de São Paulo?

Mas os trabalhadores vão lutar até o fim. Aquele terreno é dos moradores que há oito anos transformaram um local improdutivo num bairro, isto é, deram uma função social, ao contrário do que pretende o proprietário Naji Nahas, que é usar a área para especulação imobiliária. O terreno tem de ser dos trabalhadores e não de um bandido, já mais de uma vez condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Os moradores dos bairros vizinhos já estão reagindo e se juntando à resistência. A notícia já se espalhou em nível internacional e mobiliza apoio de várias partes do país e do planeta. É preciso intensificar as ações de solidariedade em todo o país. O PSDB, a juíza Márcia e a PM terão uma conta muito alta a pagar.

Pedimos a todos e todas – ativistas, personalidades, políticos, artistas e qualquer pessoa que seja contra chacinar uma comunidade para favorecer o mercado imobiliário e negociatas – que mandem mensagens, façam contatos, peçam mais apoio, denunciem! E à presidente Dilma Rousseff, fazemos um apelo para que intervenha no conflito e impeça que mais vidas sejam tiradas.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Insegurança

UNIDADE DE SAÚDE DE REGOMOLEIRO É ASSALTADA

Na última quinta-feira 20, por volta do meio-dia, dois homens armados com revólveres assaltaram a Unidade Básica de Saúde de Regomoleiro. Eles renderam as cerca de quatro funcionárias do posto e levaram celulares, dinheiro e outros pertences. Em seguida, os dois bandidos trancaram as funcionárias no laboratório da unidade de saúde e fugiram. Elas só foram libertadas depois que um médico conseguiu arrombar a porta. No momento do assalto, não havia pacientes no local. As informações foram dadas ao Sindsaúde de São Gonçalo por uma servidora que não quis se identificar.

O assalto ocorrido no posto de saúde de Regomoleiro expõe um fato, no mínimo, revoltante. Segundo os próprios funcionários da unidade, o local não possui nenhum tipo de segurança, já que não há policiais nas proximidades. E o pior: no dia do assalto, cinco viaturas da polícia estavam na Prefeitura de São Gonçalo, vigiando o protesto que servidores e agricultores sem terra da comunidade de Serrinha faziam para exigir do prefeito Jaime Calado (PR) mais segurança, educação e saúde públicas.


O curioso é que não há policiais para proteger os trabalhadores em seus locais de trabalho e em seus bairros, mas, quando o assunto é reprimir os protestos destes mesmos trabalhadores, não faltam policiais nem viaturas. Como se vê, a polícia é controlada por quem está no poder e, infelizmente, atende apenas aos interesses dos ricos e poderosos, como o prefeito Jaime Calado.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nacional

Parada do Orgulho LGBT: a necessidade da politização

Aumenta a pressão pela politização da maior manifestação pelos direitos LGBT’s do mundo. Houve avanços, mas é preciso mais


A edição 2011 da Parada do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis e transexuais) de São Paulo contou, no domingo, dia 26 de junho, com a participação de uma multidão calculada em 3 milhões de pessoas, apesar da incessante chuva que caiu sobre a capital paulista desde a manhã e se intensificou no início da tarde.

Convocada pela Associação da Parada sob um lema de gosto e conteúdo questionáveis – “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia” – o evento tinha como um de seus principais objetivos, segundo a ONG que o organiza, “pedir uma trégua aos setores religiosos contra iniciativas que garantem os direitos para a comunidade LGBT”, particularmente a aprovação da PLC 122, que criminaliza a homofobia e vem sendo bloqueado pela chamada bancada evangélica no Congresso.

Como criticamos há anos, mais uma vez, em função do formato e da política adotados pela Associação, a Parada foi marcada por um tom excessivamente “carnavalesco”, que muito destoa das origens do movimento, que tem em suas raízes a Rebelião de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, em Nova York.

O problema está longe de ser o tom festivo do evento, já que gays, lésbicas, bissexuais e travestis e transexuais têm, sim, o direito não só de se divertir mas, acima de tudo, de se expressar de acordo com seus padrões de cultura e comportamento.

O que sempre criticamos, e continuaremos fazendo, é o fato de que o evento seja organizado em função dos gigantescos “trio-elétricos” colocados na rua por boates e empresas que lucram com o “pink money”. Uma opção que, ao lado das alianças políticas (com a prefeitura, os governos estadual e federal), contribui em muito para a despolitização do evento, na medida em que praticamente inviabiliza manifestações e protestos.

Uma crítica que, felizmente, começa a ser compartilhada cada vez por mais gente, o que, talvez, tenha sido a “grande” novidade da Parada deste ano.

“Uma luta que se faz nas ruas”
Um “detalhe” para o qual os organizadores do evento não fizeram muita questão de chamar atenção é o fato de que o “bloqueio” imposto pela bancada evangélica foi vergonhosa e escandalosamente negociado pela presidente Dilma, em troca de votos na tentativa de salvar o pescoço corrupto de Palocci.

Um fato que foi lembrado por José Maria de Almeida, que falou em nome da Central Sinsical e Popular - Conlutas no principal carro de som, na abertura da Parada:
“As negociatas de Dilma, a postura reacionária de gente como Bolsonaro e amplos setores do congresso demonstram que não podemos confiar neste caminho para a conquista dos direitos que os homossexuais precisam e merecem. A luta contra a homofobia, que vitima cada vez mais jovens nas ruas de São Paulo, também não depende de quem está em cima destes carros de som. Esta é uma luta que se faz nas ruas”.

Cabe lembrar que o mesmo Zé Maria foi um dos companheiros que foi agredido e detido (juntamente com outros militantes da central) na edição 2008 da Parada, quando, por iniciativa da Associação, a polícia foi convocada para retirar o carro de som que havia sido organizado pela entidade.

Este ano, contudo, o presidente da Associação, Ideraldo Beltrame, esteve na sede da CSP-Conlutas para convidar a entidade para o evento. Uma mudança de postura que reflete, em primeiro lugar, o justo reconhecimento da atuação da entidade, através de seu setorial LGBT, nas muitas manifestações que foram organizadas nos últimos meses contra os ataques homofóbicos.

Mas, também, só pode ser explicada pela crescente pressão por mudanças no “tom” e formato da Parada de São Paulo. Algo ressaltado até mesmo por um vídeo da TV UOL, intitulado “Homossexuais criticam tom "carnavalesco" da Parada Gay”, que circulou amplamente pela Internet.

Foi esse mesmo questionamento que levou o grupo Anti-Homofobia, que se organizou através do Facebook, não só a promover diversas manifestações desde o final de 2010, como também a participar da organização, nesta Parada, de um “bloco”, com o objetivo de conquistar um espaço para manifestação política e para o protesto no interior da Parada.

Um objetivo que, segundo Felipe Oliva, do “Anti-homofobia” foi plenamente atingido:
“Apesar de ‘pequena’ no meio deste mar de gente, nossa participação é importante. Conseguimos, através de nossas falas, não só levar o debate político para os milhares que estavam ao nosso redor, atingindo inclusive um público que não tem acesso às redes sociais na internet”.

Os militantes da CSP-Conlutas, por compartilharem deste mesmo objetivo, se localizaram durante a Parada junto ao carro de som organizado pelo “bloco” e o companheiro Guilherme Rodrigues, lamentavelmente, vítima de uma das muitas agressões homofóbicas que pipocaram em São Paulo, no início do ano, foi convidado a falar no carro de som.

Falando também em nome do setorial LGBT da CSP-Conlutas, Guilherme lembrou:
“Hoje é dia de festa, porque a gente tem orgulho de ser o que é. Mas, também, é dia de luta, porque não podemos esquecer todos aqueles e aquelas que foram assassinados, que sofreram ou foram humilhados, exatamente porque somos o que somos. Mas, acima de tudo, é dia de luta. É dia de resgatar o espírito de Stonewall e de lembrar que a luta contra a homofobia não pode servir como moeda de troca para salvar políticos safados, nem pode ser pisoteada por fascistas e reacionários. Por isso, estamos aqui para celebrar o pouco que conquistamos, mas, acima de tudo, para demonstrar nossa disposição de seguir lutando até que tenhamos todos os direitos que precisamos e merecemos”.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Movimento

Marcha contra a homofobia em Brasília exige aprovação do PLC 122

Segundo organização, manifestação reuniu 5 mil

Ocorreu nesse dia 18 de maio a Segunda Marcha Nacional contra a Homofobia, em Brasília. Segundo a organização do evento, cerca de 5 mil pessoas se manifestaram na capital federal. Neste ano, o principal tema do protesto foi a exigência da aprovação do Projeto de Lei 122 que torna crime a homofobia.

Além de entidades do movimento LGBT, o protesto reuniu sindicatos, parlamentares e partidos como o PSTU e o PSOL. A marcha partiu da Catedral, passando pela esplanada dos ministérios rumo ao Congresso Nacional. Ao final, os manifestantes foram ao prédio do Supremo Tribunal Federal comemorar a aprovação da extensão dos direitos aos casais homossexuais.

"Ô Dilma / eu quero ver / o PLC acontecer"
A CSP-Conlutas marcou presença na marcha com uma animada coluna que reuniu algo como 150 companheiros de Brasília, Minas, Pernambuco e São Paulo. A coluna reuniu servidores públicos, metroviários, trabalhadores dos Correios, estudantes, além de ativistas do movimento popular. “Nossa coluna politizou o ato, enquanto grande parte só comemorava a decisão do STF, nós fizemos exigências ao governo Dilma” , disse Guilherme Rodrigues, estudante de Letras da USP e membro da ANEL.

“O que aconteceu no STF foi uma vitória importante do movimento, que nos fortalece, mas é preciso ir além, temos que passar à ofensiva e exigir do governo Dilma um compromisso público para a aprovação do PLC 122”, discursou Douglas Borges, do Setorial LGBT da CSP-Conlutas, que também aproveitou a manifestação para denunciar o avanço da violência homofóbica no país assim como fascistas como o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Ao final a CSP-Conlutas realizou uma plenária onde aprovou a realização de um seminário no dia 18 de junho.

Marcha é resposta à despolitização das paradas
Iniciada em 2010, a marcha é uma resposta de setores do movimento LGBT descontentes com a despolitização das paradas gays. A data foi escolhida pois marca o dia em que a Organização Mundial de Saúde desconsidera a homossexualidade uma patologia (17 de maio).

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Artigo

15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás. Lembremos os nossos mortos

Jeronimo Castro*

Na tarde do dia 17 de abril de 1996, em um trecho da rodovia PA-150 conhecido como curva do S, 19 sem-terra foram mortos e outros 60 saíram feridos em um dos massacres mais impressionantes do Brasil “democrático”.

O grupo que marchava havia feito uma ocupação da fazenda Macaxeira e exigia sua desapropriação para reforma agrária.

Era o tempo das grandes ocupações de terra, do MST com um apoio popular imenso, da reforma agrária pautada em todas as discussões políticas. De uma tremenda polarização no campo, onde sem-terra e trabalhadores de um lado, e latifundiários e burguesia do outro, lutavam para disputar que forma de propriedade e desenvolvimento agrário deveria predominar.

O efeito do massacre na população foi espantoso. Em todo o país houve atos. Em Belém do Pará, estado onde aconteceu o massacre, no dia do protesto, a Polícia Militar foi retirada das ruas para evitar que a população se enfrentasse com ela. E, raridade na história recente do país, a manifestação atacou um quartel sem sofrer nenhuma retaliação.

Nos meses que se seguiram ao massacre, o prestígio do MST cresceu como nunca. Uma marcha convocada por eles levaria ao que seria a Marcha dos 100 mil.

Quinze anos depois, nenhum dos envolvidos no massacre está preso, a reforma agrária continua por fazer e o agronegócio avançou justamente no governo do partido que supostamente era o maior aliado do MST, o PT.

O governo Lula, como nenhum outro, apoio, financiou e defendeu o avanço do capitalismo no campo. Uma contrarreforma agrária, de caráter mercantil e reacionário, foi executada. Uma campanha midiática foi feita para satanizar o MST e toda a luta pela terra. O próprio MST mudou, ao acreditar que o governo Lula era seu governo, ocupou postos na estrutura federal e freou a luta direta pela terra.

É verdade que nenhuma homenagem trará de volta os mortos, nem suprirá a ausência dos que tombaram naquele dia para seus companheiros, amigos e parentes. Os órfãos continuarão órfãos, as viúvas continuarão viúvas. Mas é necessário não deixar cair no esquecimento estes 19 mortos (1). Mais do que artigos e protestos, nós queremos homenageá-los com lutas. Manter viva não apenas na memória, mas nos nossos atos cotidianos, a bandeira que eles defendiam, e reivindicar como mais atual que nunca a luta por uma reforma agrária ampla, radical e sob controle dos trabalhadores.

Nós mantemos viva a certeza cantada naqueles dias, de que “nosso lema é ocupar, resistir e produzir”, e de que só sairá reforma agrária com a aliança camponesa e operária. Esta é a homenagem que queremos fazer a esses mortos, estes são os nossos heróis e mártires. Nós reivindicamos plenamente suas lutas, nós as levaremos adiante.

Até a vitória, companheiros!

*advogado que estava em Eldorado na época do massacre

(1) Adílio Alves Rabelo, 57, Altamiro Ricardo da Silva, 42 anos, Amâncio Santos Silva, 42, Antônio Alves da Cruz, 59, Antônio Costa Dias, 27, Antônio (Irmão), Graciano Olímpio Souza (Badé), 46, Joaquim Pereira Veras, 32, João Carneiro da Silva, João Rodrigues Araújo, José Alves da Silva, 65, José Ribamar Alves Souza, 22, Leonardo Batista Almeida, 46, Lourival Costa Santana, 26, Manoel Gomes Souza (Leiteiro), 49, Oziel Aves Pereira, 17, Raimundo Lopes Pereira, 20, Robson Vitor Sobrinho, 25, Valdemir Ferreira da Silva (Bem Te Vi).

terça-feira, 19 de abril de 2011

Artigo

Senado propõe plebiscito sobre comércio de armas e munição. Isso vai resolver?

Antônio Radical*

O presidente do Senado, o latifundiário José Sarney (PMDB/MA), aproveitando-se de forma oportunista da comoção nacional que envolve o caso do assassinato em massa de 12 alunos/as em Realengo, no Rio de Janeiro, lançou a proposta no Senado, onde este é presidente, da realização de um plebiscito nacional sobre a questão do comércio de armas e munição. Segundo o eterno senador peemedebista, o plebiscito ocorreria no dia 1º de outubro deste ano e teria uma única pergunta a ser respondida pelo eleitorado brasileiro, que seria a seguinte: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”.

Afirmamos que a proposta é oportunista por duas razões: 1ª) em 2005, foi realizado um referendo nacional sobre a mesma matéria e a ampla maioria do povo foi CONTRA a proibição de comércio de armas de fogo. Portanto, se existe no Brasil uma verdadeira democracia, como Sarney e seus aliados no Congresso e no governo gostam tanto de afirmar várias vezes, então que prevaleça a vontade popular, já manifestada no referendo de 2005; 2ª) Sarney, como bom urubu que é, faz esta proposta de forma demagógica e oportunista por conta do sentimento de milhões de brasileiros/as, comovidos/as ao extremo por conta das chocantes cenas ocorridas em Realengo, semana passada. E dessa maneira aproveita-se da situação para promover mais uma "politicanalhice" pura.

O senador maranhense, eleito pelo Amapá, quer fazer crer (mais uma vez, diga-se de passagem) ao povo brasileiro que a raiz da violência está no comércio de armas e munição em nosso país. Como bom membro da elite brasileira, procura com isso fazer a discussão pelo seu efeito e não pela sua causa. Com isso pretende mais uma vez ludibriar a opinião pública nacional.

O assassino de Realengo atende pelo nome de Wellington, mas poderia muito bem ser José, Antonio, Marcos, ou mesmo Sandra, Mônica, Maria. Qualquer um/a poderia ter protagonizado aquelas cenas de horror que assistimos no Rio de Janeiro. Como também o local poderia ser outro qualquer, tipo São Paulo, João Pessoa, São Luís. As causas do que ocorreu na escola Tasso da Silveira poderiam se reproduzir em qualquer escola pública (ou particular) de nosso país e suas causas não estão direcionadas apenas para o perfil do assassino, mas sim pelas razões político-sociais que a classe trabalhadora brasileira passa em nosso país.

Esta classe trabalhadora é superexplorada pelo capitalismo e, além dessa exploração, é também oprimida pelo machismo, racismo e homofobia. O capitalismo e seus possuidores e/ou representantes, como José Sarney e tantos outros, estão pouco se lixando para os problemas cotidianos que nossa classe sofre. Querem apenas manter esse status quo (cenário) para se perpetuarem no controle da situação.

Nossa sociedade, da forma como está organizada hoje, só faz gerar personalidades como a de Wellington Menezes. É sabido hoje que o jovem assassino de Realengo passou por problemas seríssimos de bullying na escola onde estudava, a mesma onde ele promoveu o massacre de jovens indefesos. E o que a escola fez para identificar e resolver este problema? Nada ou quase nada, como se sabe até agora. E de quem é a responsabilidade sobre isso?

O principal responsável por isso é o Estado brasileiro, que ano após ano, corta as verbas da educação pública e, com isso, faz com que as escolas deixem de contratar profissionais qualificados para fazer este trabalho no interior das escolas, como psicólogos, assistentes sociais, orientadores educacionais. O governo Dilma acaba de cortar mais de R$ 50 bilhões do orçamento deste ano e mais uma vez tal medida prejudicará ainda mais a área social, como Educação. E quem sofre com isso na ponta da tabela são os profissionais da educação pública, que terão que se virar para dar conta da precária situação por que passam as escolas públicas de nosso país, do Oiapoque ao Chuí.

Wellington Menezes poderia até ter tentado fazer o que fez, mas se houvesse um acompanhamento correto por parte da escola, isso poderia ter sido evitado. Mas o Estado brasileiro e seus dirigentes - presidente, governadores e prefeitos - não estão preocupados com isso, mas sim em procurar dar mais dinheiro público às escolas e universidades particulares e garantir o sono tranquilo dos banqueiros através da alta taxa de juros, as maiores do planeta.

Há muito tempo que é sabido por toda a sociedade que o espaço escolar atual tem sérios problemas, inclusive de segurança. Mas isso só entra em debate quando é período eleitoral e os representantes do capitalismo, ao se lançarem candidatos, ADORAM afirmar que em seu governo "educação é prioridade". Depois, quando eleitos, podemos assistir na prática a tal prioridade na educação. Corte de verbas, desrespeito a direitos trabalhistas elementares, assédio moral e sexual e muito mais.

Assim, é reconfortante para Sarney e outros aparecerem agora e sugerirem um plebiscito sobre o comércio de armas e munição em nosso país. Como se a vitória nesse plebiscito que eles pretendem (proibir o comércio de armas e munição) fosse realmente resolver o problema.

Assim como em 2005, somos CONTRÁRIOS ao desarmamento! Querem com isso desarmar o povo trabalhador e fazer com que o Estado, através de seu aparelho repressor, assuma a condição de protetores da sociedade. Mas quem confia, em sã consciência, na polícia como ela está organizada atualmente?

Da forma como é a proposta, os bandidos continuarão a ter armas e o povo ficará desprotegido, à mercê de uma polícia que a população não confia. Além de que a proibição do comércio de armas e munição, caso seja vencedora, NÃO acabará com o tráfico ilegal de armas e munição. Pois este existe hoje e continuará existindo após o plebiscito, com a conivência do Estado e de seus aparelhos de repressão.

* Antonio Ferreira Lima Neto é professor de História e sindicalista em João Pessoa (PB), e integrante da CSP-Conlutas. Texto publicado originalmente no blog http://antonioradical.blogspot.com

terça-feira, 12 de abril de 2011

Artigo

Podiam ser nossos filhos!

Miguel Malheiros, do Rio de Janeiro

Manhã do dia 7 de abril de 2011. O trânsito começa a ficar realmente complicado. As TVs apresentam as imagens das câmeras da CET-Rio e mostram os caminhos menos engarrafados. Nos rádios repórteres aéreos localizam os pontos congestionados. Ouvintes telefonam, opinam. Mais um dia de "normalidade” no caos urbano.

Num repente, a “normalidade” do caos é quebrada. À bala, o sagrado espaço da sala de aula é violado. 12 estudantes, 10 meninas e 2 meninos, tem suas vidas interrompidas pelas balas de dois revólveres do assassino Wellington Menezes de Oliveira. Ele mesmo um jovem: 23 anos. Impactadas, as pessoas se perguntam: Por quê?

Antes de tudo, solidariedade às vítimas e seus familiares. Cada um e cada uma das vítimas tinham irmãos, irmãs, primas e primos, pai, mãe, avós e avôs. Tios e tias. É a dor terrível da quebra da tendência natural da geração mais jovem sobreviver à geração mais velha.

Os bilhetes, flores, cartazes, afixados nos muros da escola mostram a dor e a solidariedade da população. Foram os filhos e filhas da nossa classe, a classe trabalhadora, que tombaram sob as balas assassinas. Neste momento, somos todos pais e mães, estudantes, professores, professoras, funcionários e funcionárias da Escola Municipal Tasso da Silveira. As balas na cabeça de nossos filhos e filhas atingiram nossos corações, e essa também é a nossa dor.

Dez meninas e dois meninos assassinados, chacinados

Wellington Menezes de Oliveira, assassino suicida. 23 anos, vítima de bullying quando estudante, passou pelas cadeiras escolares e seus problemas mentais não foram identificados. Ou não se teve mecanismos para encaminhar seus problemas. Não recebeu nenhum tratamento diferenciado.

O governo Dilma acaba de cortar 50 bilhões do orçamento da União. Continua a velha política de garantir os interesses dos banqueiros daqui e de fora. A política de seguir pagando a dívida pública à custa do resgate da dívida social. Mais de 3 bilhões cortados só na educação. Dilma não está sozinha. Antes dela, Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney, os governos da ditadura... A política de priorizar os interesses dos ricos e poderosos tem suas consequências.

Na prefeitura e no governo do estado, Eduardo Paes e Sergio Cabral privatizam espaços escolares, transferem recursos públicos da educação para a iniciativa privada. Atacam a aposentadoria, mantêm salários rebaixados.

A consequência é escolas fisicamente sucateadas. O ambiente escolar, por essa combinação de diferentes elementos, deixa de ser atrativo, não responde aos anseios dos estudantes que a frequentam, tão pouco aos anseios dos profissionais que a impulsionam.

Hoje o espaço escolar, infelizmente, é palco de diferentes formas de violência. Bullying, brigas violentas, agressões – físicas até – a professores.

Não é que faltem somente professores. As escolas públicas não possuem coordenação pedagógica, faltam psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, médicos, dentistas. Faltam inspetores, porteiros, faltam professores.

Salas de aula lotadas, 30, 35, 40 estudantes em uma turma. Baixos salários obrigando a dobras de vários tipos, obrigando a ter vários empregos. Tudo isso impede qualquer tipo de atendimento mais individualizado por parte dos profissionais da educação.

Hoje uma professora ou um professor, mal consegue identificar nos estudantes problemas visuais ou motores, que dirá problemas mentais. Quando suspeitam do problema não há canais para encaminhar. Na escola não há profissionais capacitados para dar tratamento a estes problemas. Porém, também não estão na rede pública de saúde.

Ou seja, o capitalismo visa o lucro, desumaniza os seres humanos, produz doentes da sociedade, mas tratá-los, se não dá lucro, não será feito. A consequência, hoje, 10 meninas e 2 meninos assassinados, chacinados.

TV's, rádios, revistas, jornais, vídeos-game banalizam a violência. A pobreza e seus dramas inevitáveis são ridicularizados e explorados. O lucro fácil colaborando com a desumanização. Colaborando com a banalização da violência, onde homicídios passam a ser triviais. Ajudam, dessa forma, a abrir caminho para mais violência urbana, agora combinada com doses de fanatismo religioso.

Os mesmos rádios, TV's e jornais que banalizam diariamente a violência uivam por detectores de metal. Clamam por colocar pessoas armadas nas escolas. Lobos escondidos em peles de cordeiros, o que vocês querem realmente é mais controle social sobre a pobreza. Mais contenção social. Já não bastam as grades, os portões de ferro? Nossas escolas se assemelham mais a prisões que a um espaço de construção de seres humanos.

Ninguém viu que Wellington sofria intensamente. Ninguém viu que a família de Wellington estava despedaçada. Ninguém viu que dentro de Wellington a loucura crescia. Ter surgido um Wellington, no Brasil, foi só uma questão de tempo.

Imitação da tragédia, o assassino suicida copiou os ataques às escolas que não são raros nos Estados Unidos. O mais importante país desse sistema econômico em que vivemos, o sistema capitalista.

Wellington, assassino suicida, 23 anos, é fruto desse sistema. Esta é a sociedade onde um punhado de pessoas explora o trabalho de milhões e milhões de seres humanos. É no capitalismo onde o homem é lobo do homem.

Este é o sistema onde os seres humanos são desumanizados. São bestializados. São transformados em monstros. Embrutecidos, alguns se transformam em feras, animais. Sem perspectiva de vida, ou seja, sem perspectivas de realizar-se como seres humanos, o inumano floresce. Desemprego; baixos salários; trabalhos embrutecedores, alienantes. Um mundo onde o ter vale mais que o ser, onde a competição e o individualismo são incentivados, e a solidariedade e a fraternidade são vistas como curiosidades. O resultado é a cada vez maior desumanização. O mais belo do ser humano é esmagado todos os dias.

Este é o sistema, e o caldo de cultura, que geram assassinos suicidas no Rio de Janeiro ou em Columbine, nos EUA. É sintomático que Wellington tenha buscado mulheres, tenha buscado, preferencialmente, meninas para assassinar. Não há capitalismo sem machismo.

Dez meninas e dois meninos assassinados. Entre eles podia estar sua filha, podia ser seu estudante. Não foram poucos os professores a refletir: podia ter sido na minha escola, em minha sala de aula.

Wellington puxou o gatilho, mas não matou sozinho. As 10 meninas e os 2 meninos, cuja juventude foi tão violentamente interrompida, são vítimas do assassino, mas também são vítimas daqueles que lucram com este sistema econômico. São vítimas dos agentes dos ricos e poderosos instalados nas prefeituras, governos estaduais e no governo da União.

A luta pelo resgate da dívida social, contra o corte de verbas – que em última instância engorda o bolso dos banqueiros – a luta por salário, por melhores condições de trabalho e de vida, por moradias dignas e pela reforma agrária, são parte integrante da luta contra a desumanização.

Porém, estas lutas têm seus limites. É necessário ir além. É preciso cotidianamente fazer a ponte entre essas lutas imediatas e a luta pelo fim desse sistema desumanizador. A luta pela construção de uma sociedade sem explorados nem exploradores. A luta por um mundo onde homens e mulheres sejam realmente livres.

A luta por uma sociedade onde o homem ser lobo do homem faça parte da pré-história humana. A luta contra a barbárie, a luta pelo socialismo, coloca-se mais que nunca na ordem do dia. Impõe-se pela realidade.

Sim, a vida é bela. Mas para que a geração futura possa livrá-la de todo o mal para poder desfrutá-la plenamente, depende de poder sobreviver. Depende de ter garantido o mais básico dos direitos: o direito à vida.

Às 12 vítimas um compromisso: seguiremos lutando por esse mundo sem explorados nem exploradores. Seguiremos lutando para que a expressão: lugar de criança é na escola, seja sinônimo de um espaço livre de opressão, livre de violência. Um espaço onde a infância possa ser exercida plenamente e o melhor do ser humano possa florescer.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Internacional

O que fica da visita de Obama ao Brasil?

Presidente norte-americano sai do país deixando para trás acordos comerciais, promessas de petróleo, humilhações e 13 presos políticos

O presidente norte-americano nem havia deixado o Brasil e, no balanço que a imprensa fazia de sua rápida visita, além da euforia e do exagero, havia também um certo tom de frustração. Obama não deu apoio claro ao Brasil a uma vaga permanente do Conselho de Segurança da ONU, como governo e imprensa esperavam. No comunicado aos jornalistas, ao lado de Dilma, apesar dos elogios, o presidente norte-americano apenas demonstrou “apreço” às vontades do governo brasileiro.

E se os eventos oficiais não chegaram a empolgar a anunciada “visita histórica”, a agenda “turística” foi ainda mais apagada. Resumiram-se às tradicionais apresentações culturais. O discurso público da Cinelândia foi cancelado apenas um dia antes. A delegação alegou questões de segurança, mas houve quem atribuísse a desistência à falta de garantias de público e o temor de protestos entre o público na praça.

O sentido da visita
Obama desceu no Brasil com dois objetivos. O primeiro, e declarado, foi estabelecer acordos comerciais, derrubando tarifas alfandegárias, a chamada TECA, na sigla em inglês. E a razão disso, o próprio norte-americano não escondeu: os EUA estão em crise e precisam aumentar as exportações e o Brasil é um mercado grande e em expansão.


Mas os olhos de Obama estavam voltados mesmo ao pré-sal. “Estamos criando um novo diálogo estratégico sobre energia para garantir que as cúpulas dos nossos governos trabalhem conjuntamente para aproveitar novas oportunidades, em particular, como as novas descobertas de petróleo no Brasil”, discursou no Planalto. Com a instabilidade política no Oriente Médio, os EUA enxergam no Brasil uma oportunidade de ouro para extorquir o petróleo. Além da estabilidade, o governo norte-americano encontra aqui uma completa obediência aos seus interesses.

Obediência cujos exemplos foram numerosos em tão rápida visita. Como na revista dos ministros de Dilma na entrada do pronunciamento de Obama aos empresários. Os ministros Guido Mantega (Fazenda), Edson Lobão (Minas e Energia), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) foram revistados por seguranças norte-americanos em seu próprio país. A situação lembrou o vexame do então chanceler Celso Lafer, no governo FHC, obrigado a tirar os sapatos para entrar nos EUA.

Apesar do discurso de igualdade, nem na aparência, o governo brasileiro conseguiu esconder seu papel subordinado.

Bombas entre um brinde e outro
O outro objetivo de Obama foi midiático. O presidente tentou reforçar sua imagem popular e amigável, fazendo crer que nada tinha a ver com Bush e seus antecessores. E contou com a generosa ajuda da imprensa brasileira, que fez uma cobertura amplamente favorável ao norte-americano. O fato de Obama ser negro foi tomado como elemento de identificação com os brasileiros.


Os fatos, porém, mostram que por trás do sorriso de Barack, esconde-se o velho imperialismo dos EUA. Uma cena descrita no jornal Folha de São Paulo ilustra muito bem isso. No início da tarde do dia 19, Obama participava de uma recepção oferecida pelo Itamaraty. Na hora do brinde, o presidente foi interrompido por um assessor, que lhe entregou um telefone. Após algumas poucas palavras, o presidente voltou ao seu brinde. Acabava de autorizar o bombardeio aéreo na Líbia.

Já no discurso feito no Theatro Municipal, Obama elogiou a democracia, chegando a lembrar a luta da então guerrilheira Dilma Roussef contra a ditadura no Brasil. Nenhuma palavra foi dita, é claro, sobre o envolvimento dos EUA no golpe militar de 1964. Ou do apoio que prestavam até ontem para as ditaduras amigas do Oriente Médio e do Norte da África, como o próprio Kadafi.

O que essa visita mostrou?

A visita em si não teve grandes novidades e, ao contrário do tom eufórico da imprensa, não contou com manifestações de apoio na sociedade. Mas, por outro lado, revelou muitas coisas. Primeiro, o empenho do governo brasileiro em se mostrar fiel subordinado do imperialismo. O fato de Obama ter ordenado o bombardeio à Líbia de dentro do Itamaraty é simbólico.

Os governos uniram-se para estender o tapete vermelho ao chefe do imperialismo. Até mesmo a Justiça mostrou sua submissão. A prisão dos 13 manifestantes na noite do dia 18, durante um protesto, foi um fato sem precedentes. O argumento do juiz que determinou a manutenção das prisões fala por si só: os detidos representariam “ameaça à ordem pública” enquanto Obama estivesse aqui e poderiam “macular” a imagem do país.

Mas não foi só isso. A ordem expressa do PT e do Planalto aos seus militantes, proibindo manifestações contra Obama, revela o apoio do partido ao imperialismo e desmascara seu papel nos movimentos sociais. Um fato inédito e histórico: uma ordem do Partido dos Trabalhadores para que seus filiados não comparecessem a um ato contra um presidente dos EUA, a um ato contra o imperialismo.

A visita de Obama, assim, mostrou um governo brasileiro ainda mais submisso, empenhado em entregar nosso petróleo ao imperialismo e abrir o mercado aos EUA. Revelou uma Justiça que se mostra capaz de atropelar a Constituição para defender os interesses dos EUA, como se estivéssemos em um Estado de Sítio.

Obama, por fim, se despede do Brasil deixando para trás acordos comerciais e a garantia de petróleo para sua indústria e seus carros. Deixa ainda 13 presos políticos e a certeza de que, infelizmente, para uma parte do movimento sindical brasileiro, o imperialismo deixou de ser um inimigo.

Movimento

Passeata reuniu 800 pessoas, antes de discurso de Obama

Protesto chegou até a Rua do Passeio, onde ato exigiu a libertação dos 13 presos políticos

Cerca de 800 pessoas fizeram uma passeata contra a visita de Obama, a entrega do petróleo e pela libertação dos 13 ativistas presos desde a sexta-feira (18), no ato em frente ao consulado. Eles chegaram até a Rua do Passeio, próximo da Cinelândia, já cercada por policiais da Tropa de Choque.

Ali, fizeram um ato político, com discursos e palavras de ordem, como "Fora já, fora já daqui. Obama do Brasil e Dilma do Haiti", versão renovada do que se cantou durante as invasões ao Iraque e Haiti. Por volta das 14 horas, os organizadores resolveram encerrar o protesto. "Nosso objetivo hoje foi cumprido, fizemos uma passeata vitoriosa e voltaremos aqui amanhã", afirmou Cyro Garcia, presidente do PSTU no Rio. “Os manifestantes farão uma lavagem da Cinelândia e das escadarias do Theatro Municipal, nesta segunda, às 17h, para apagar a presença de Obama", completa Cyro.

O protesto unificou as duas concentrações que ocorreram desde às 10 horas: uma em frente ao metrô da Glória, e outra, no Largo do Machado. Juntos, manifestantes percorreram o trecho até o Passeio Público. O protesto reuniu a CSP-Conlutas, CTB, Intersindical, MST, Jubileu Sul, MTL, Círculo Bolivariano e o movimento sem-teto. Muitos sindicatos compareceram, com destaque para o dos petroleiros e dos professores.

Entre os partidos, muitos militantes do PSTU, PSOL, PCB e PCdoB. A deputada estadual Janira Rocha (PSOL), que assina uma nota junto com outros parlamentares, participou da manifestação. Seguindo orientação do diretório estadual, o PT não esteve representado.

O discurso do PSTU foi feito por Zé Maria, que parabenizou os manifestantes. "Vocês, aqui no Rio, nos protestos que têm feito nestes dias, têm demonstrado que o apoio à vinda de Obama não há uma unanimidade. Vocês mostraram ao país e ao mundo que há motivos para protestar". Ele condenou a prisão e exigiu a libertação dos presos e também a retirada de todas as acusações contra eles.

Libertação dos presos
A solidariedade com os presos também fez com que muitos estudantes fossem ao ato, convocados pela ANEL, UNE, Ubes e diversos DCEs. Havia muitos estudantes secundaristas, entre eles diversos amigos do jovem estudante do Colégio Pedro II, militante do PSOL, que está preso desde sexta, no Centro de Triagem da Ilha do Governador. As entidades de juventude devem lançar ainda hoje um manifesto unitário pela libertação dos presos.


Cirlete Proença, mãe de Yuri e Gabriela, dois dos 13 presos, discursou na concentração do ato. Ela contou que o avô dos dois foi militante político, perseguido pela repressão. "Quando pequena, tivemos de nos mudar, fugir. Agora, que não há mais ditadura, os dois estão presos", comparou. Ela declarou ainda que vai continuar participando de todos os atos. Os pais e parentes dos presos formaram uma coluna no ato.

A arbitrariedade tem despertado muitas demonstrações de solidariedade. No ato de hoje, entre os manifestantes, destacavam-se os advogados Marcelo Cerqueira e Antonio Modesto da Silveira, dois símbolos das batalhas nos tribunais pelos presos políticos durante a ditadura militar. Modesto, de 84 anos, chegou a ser sequestrado pelo DOI-CODI e é autor da Lei da Anistia. Em 1999, ele recebeu a Medalha Chico Mendes, do grupo Tortura Nunca Mais, que também enviou mensagem de solidariedade aos presos.

Doze manifestantes estão ainda nos presídios de Bangu 8 e Água Santa. O outro, menor de idade, está em um Centro de Triagem. No sábado, o juiz de plantão negou o pedido de libertação do grupo, alegando ameaças à visita de Barack Obama.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Dia Internacional de Luta da Mulher

Centenas de mulheres vão às ruas de Natal protestar contra o machismo e a exploração

Na manhã de quinta-feira, dia 17, cerca de 400 mulheres coloriram as ruas de Natal/RN com bandeiras vermelhas, lilases e muitas reivindicações. Em alusão ao 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, elas realizaram um protesto pelas ruas da cidade contra o machismo e a exploração. A caminhada, que reuniu trabalhadoras sem-terra do MST, estudantes, servidoras públicas e sindicalistas, saiu do bairro Cidade da Esperança e seguiu até o Centro Administrativo do Estado, sede do governo do RN. O protesto foi organizado por centrais sindicais, entidades estudantis, sindicatos e partidos de esquerda.

Durante a caminhada, usando faixas e cartazes, as trabalhadoras denunciaram a violência contras as mulheres e fizeram exigências por melhores condições de vida e trabalho. Com o tema “Mais poder para as Mulheres”, a manifestação reafirmou que não basta ser mulher, é preciso ser trabalhadora e estar ligada às lutas populares. “No RN a eleição de Rosalba Ciarlini para o governo do estado significa a continuação do atraso nas políticas públicas e a volta do DEM ao poder (antiga ARENA, partido da ditadura). Em Natal, a prefeita Micarla de Sousa é rejeitada por mais de 80% do povo e está destruindo os serviços de saúde, com a privatização, através das UPAS e AMES. Ela também aumentou as passagens dos ônibus.”, disse a assistente social do Hospital Walfredo Gurgel, Rosália Fernandes. “Já a presidenta Dilma abandonou a luta pela legalização do aborto e defendeu um reajuste de R$ 35 para o salário mínimo, enquanto que ela e os parlamentares tiveram um aumento de R$ 10 mil. Tudo isso mostra que não basta ter uma mulher nos governos para que os interesses das mulheres trabalhadoras sejam atendidos.”, completou.

Entre as principais reivindicações apresentadas pelas mulheres, destacaram-se a luta pelo salário mínimo do DIEESE (R$ 2.200), fim da pobreza, aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha, punição aos agressores das mulheres, construção de casas-abrigo e descriminalização do aborto. Para a professora e militante da Central Sindical e Popular – Conlutas, Luciana Lima, o protesto serviu para enviar um recado aos governos. “Nós, mulheres, somos quase 40% da população economicamente ativa, mas somos também quase 70% dos mais pobres do mundo. Estudamos mais do que os homens. Entretanto, ganhamos os menores salários, recebendo até 30% menos. Isso mostra que os empresários nos usam para explorar ainda mais a classe trabalhadora. É preciso enfrentar todos os governos que apóiam essa política.”, defendeu Luciana.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vídeo

EM VÍDEO, GERENTE DA UNIDADE DE SAÚDE DE JARDIM LOLA PEDE DESCULPAS POR AGRESSÃO CONTRA DIRETORA DO SINDSAÚDE

sexta-feira, 11 de março de 2011

Justiça

GERENTE DA UNIDADE DE SAÚDE DE JARDIM LOLA PEDE DESCULPAS PUBLICAMENTE POR AGRESSÃO COMETIDA CONTRA DIRETORA DO SINDSAÚDE

Na tarde desta quinta-feira, dia 10, em São Gonçalo do Amarante/RN, o gerente da Unidade de Saúde de Jardim Lola, Jean Queiroz, pediu desculpas publicamente pela agressão cometida contra a enfermeira e diretora do Sindsaúde, Simone Dutra. No dia 11 de novembro do ano passado, Jean Queiroz tentou intimidar a sindicalista durante uma reunião do sindicato com os servidores e chegou a chamá-la de “vagabunda”. O pedido de desculpas foi feito na sala de preparo da unidade de saúde e reuniu servidores e moradores do bairro. A retratação pública do gerente foi determinada pelo Juizado Especial Criminal (JECRIM), em audiência de conciliação realizada no dia 25 de fevereiro.

A audiência no Juizado Especial definiu a retração pública nos seguintes termos: “(...) o autor do fato pedirá desculpas em público, no dia 10/03/11, às 16h, na sala de preparo da Unidade de Saúde de Jardim Lola, ocasião em que se retratará das injúrias proferidas contra a vítima, bem como publicará o referido pedido numa folha A4, a ser afixada na porta da farmácia pelo prazo de quinze dias, a contar da reunião.”.

O pedido de desculpas ocorreu conforme definido no acordo da audiência. O gerente Jean Queiroz convocou uma reunião com servidores e usuários presentes no momento na unidade de saúde e comunicou sua retratação. “Aqui eu quero pedir desculpas à pessoa de Simone pelo fato ocorrido no dia onze de novembro nesta sala. Ela se sentiu ofendida mediante minhas palavras, meu tom de voz. Então, aqui, eu estou tendo a humildade de pedir desculpas a ela. Vai ser fixada na parede uma carta de retratação que eu fiz. Pelo prazo de quinze dias vai ficar na parede do atendimento da farmácia.”, disse o gerente.

Um passo importante no combate ao assédio moral
A retratação pública do gerente da unidade de Jardim Lola foi fruto da luta do Sindsaúde São Gonçalo e da coragem dos servidores em denunciar o autoritarismo. Para a direção do sindicato, o pedido público de desculpas foi o primeiro passo para estimular o combate ao assédio moral na unidade de saúde. “Espero que agora a gente possa ter uma relação de educação, de cordialidade e de respeito. Afinal, todos os trabalhadores aqui estão cumprindo o seu papel.”, afirmou a diretora do Sindsaúde Simone Dutra.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Justiça

Entidades sindicais e servidores prestam solidariedade à dirigente sindical Simone Dutra

Na manhã da última terça-feira (21), servidores públicos e entidades sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, se concentraram em frente à Delegacia de Polícia Civil de São Gonçalo do Amarante/RN para prestar solidariedade à dirigente sindical Simone Dutra. A manifestação de apoio à diretora do Sindsaúde no município ocorreu durante a segunda audiência sobre a agressão sofrida pela sindicalista na Unidade de Saúde de Jardim Lola, em novembro passado. Enquanto tentava realizar uma reunião com trabalhadores da unidade, Simone Dutra foi intimidada e chamada de "vagabunda" pelo gerente do posto de saúde, Jean Queiroz. Os manifestantes permaneceram na porta da Delegacia até o final da audiência, que colheu os depoimentos das testemunhas do caso.


O técnico de enfermagem, Tarcísio Nascimento, que estava presente na reunião no momento da agressão, confirmou em seu testemunho a denúncia feita pela sindicalista Simone Dutra. Tarcísio afirmou que, assim que a diretora do Sindsaúde chegou à unidade, o gerente Jean Queiroz começou a segui-lá por todo o local. Após o início da reunião, Simone Dutra pediu ao gerente do posto que se retirasse da sala, já que a reunião trataria de assuntos de interesse apenas dos servidores. Nesse momento, Tarcísio Nascimento ouviu quando Jean Queiroz afirmou que não sairia do local porque estava a mando do prefeito (Jaime Calado). Diante da recusa do gerente, Simone passou a fotografá-lo para registrar a tentativa de intimidação. O técnico de enfermagem viu quando Jean Queiroz partiu de forma agressiva para cima da sindicalista, gritando: "Simone, não tire essas fotos! Sua vagabunda, sua vagabunda!".

Tarcísio Nascimento ainda afirmou que teve a impressão de que o gerente iria agredir fisicamente a diretora do sindicato. "Ele chegou a se armar para agredi-la e ficou com o dedo muito próximo ao rosto dela.", o disse o técnico de enfermagem.

A testemunha trazida por Jean Queiroz, a recepcionista da Unidade de Jardim Lola Maria de Fátima, deu um depoimento absurdo e inconsistente. Ela afirmou que Simone já chegou ao posto de saúde empurrando o gerente e que ele não esboçou nenhuma reação. Quanto ao ocorrido na sala em que se realizou a reunião, Maria de Fátima disse não ter visto nada porque estava na frente da unidade, na recepção.

Outras duas testemunhas também compareceram à delegacia para confirmar a versão da diretora do Sindsaúde, pois estavam na reunião no momento da agressão. Mas não foi preciso colher seus testemunhos. A polícia de São Gonçalo já encaminhou o caso para o Juizado de Pequenas Causas do município, que dará continuidade ao processo em audiência marcada para o dia 25 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nota Pública

SOLIDARIEDADE DE CLASSE CONTRA TODA FORMA DE AGRESSÃO AOS TRABALHADORES

Vivemos em um mundo desigual, onde todos os trabalhadores sofrem com a exploração e a opressão de patrões e governos. Baixos salários, retirada de direitos e assédio moral são as formas mais usadas para explorar ainda mais os trabalhadores. Como não poderia deixar de ser, São Gonçalo do Amarante também faz parte dessa realidade.

Em dois anos de governo, o prefeito Jaime Calado (PR) já mostrou que não mede esforços quando o assunto é oprimir os servidores. Perseguições, transferências, parcelamento de salário e péssimas condições de trabalho. Assim age a Prefeitura. Práticas como estas estão sendo repetidas dentro das Unidades de Saúde. Recentemente, a sindicalista Simone Dutra foi agredida pelo gerente Jean Queiroz na unidade de Jardim Lola. Ele tentou impedir uma reunião do sindicato com os trabalhadores e ainda chamou a diretora do Sindsaúde de “vagabunda”. Além de ter uma atitude anti-sindical, o gerente agrediu uma mulher e servidora municipal.

Em audiência na delegacia, no dia 15/12, Jean Queiroz mentiu e disse que a sindicalista já chegou à unidade o empurrando. Um completo absurdo. Essa postura é a mesma que todos os agressores assumem depois de seus atos de violência. Sempre culpam as mulheres por terem “provocado” a reação. Todos os dias acontecem casos semelhantes, alguns são mostrados pela TV. A dirigente sindical Simone Dutra jamais agrediu de qualquer forma o gerente Jean Queiroz. E os servidores de Jardim Lola, que estavam no momento da reunião, sabem disso.


Por isso, o Núcleo do Sindsaúde de São Gonçalo propõe uma reflexão a todos os servidores. Todos os trabalhadores fazem parte de um mesmo grupo de pessoas, uma única classe que é explorada pelos patrões e que luta no dia-a-dia contra seus opressores. Nenhum trabalhador deve estar ao lado do explorador. Os que nos oprimem estão organizados e defendem sua própria classe. Nós, trabalhadores, devemos defender nossos companheiros e companheiras. Nossa solidariedade de classe é nosso maior patrimônio. Portanto, defender a diretora Simone Dutra, que já está há mais de dez anos lutando pelos servidores do município, é defender também a classe trabalhadora.

Nesse sentido, o sindicato convoca todos os servidores para participarem de um ato público amanhã, DIA 21/12/10, às 9H, NA DELEGACIA DE POLÍCIA CIVIL DE SÃO GONÇALO (CENTRO), durante a segunda audiência sobre o caso de agressão à sindicalista Simone Dutra. Contamos com sua presença e solidariedade de classe.

NÚCLEO DO SINDSAÚDE DE SÃO GONÇALO

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

São Gonçalo do Amarante

Servidores municipais paralisam atividades e protestam contra parcelamento de salário

É possível lutar, é possível vencer. Foi com este espírito que servidores públicos do município de São Gonçalo do Amarante/RN foram às ruas nesta quarta-feira (08). Revoltados com a ameaça do prefeito Jaime Calado (PR) de parcelar o salário de dezembro em quatro vezes, trabalhadores da saúde e da educação resolveram paralisar suas atividades e protestar contra a medida. Após iniciarem a manifestação, por volta das 9 horas, na principal praça do centro da cidade, os servidores seguiram em passeata até a sede da Prefeitura. Com faixas, bandeiras e panfletos, os manifestantes exigiam o pagamento integral do salário de dezembro, do décimo terceiro e o fim das perseguições políticas aos trabalhadores. Ao final do ato público, uma comissão de servidores foi recebida pelo chefe de gabinete da Prefeitura. Ele garantiu que um documento oficial, assegurando o não parcelamento dos salários, será entregue na sexta-feira (10).


Ameaça de parcelamento
Segundo informações repassadas durante uma reunião da Prefeitura, depois de suspender o décimo terceiro dos cargos comissionados, o prefeito Jaime Calado estaria planejando dividir os salários de dezembro de todos os servidores efetivos. A justificativa do prefeito seria a diminuição no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), ainda em decorrência dos efeitos da crise econômica. “Essa suposta diminuição não passa de uma mentira. Comparando os meses de 2009 com os de 2010, houve um aumento de 6,4% no repasse do FPM para o município. Além disso, as prefeituras do RN devem receber este mês mais de R$ 180 milhões de Fundo de Participação. Só São Gonçalo vai receber quase R$ 3 milhões.”, esclareceu Socorro Alves, diretora do sindicato da educação.


Por quase um mês, os sindicatos tentaram obter uma resposta oficial da Prefeitura sobre o parcelamento ou não do salário, mas sem sucesso. Com o objetivo de se antecipar a qualquer ação do prefeito, as entidades decidiram organizar a manifestação. “Não podíamos confiar na Prefeitura e muito menos na vigilância dos vereadores do município, que estão sendo investigados pela polícia.”, destacou Vivaldo Dantas, diretor do sindicato da saúde, se referindo ao inquérito do Ministério Público que investiga vereadores de São Gonçalo pelo crime de peculato (desvio de dinheiro na administração pública).

Vivaldo Dantas, diretor do Sindsaúde São Gonçalo

O protesto foi organizado pelos sindicatos municipais da saúde (Sindsaúde) e da educação (Sinte), mas também contou com a participação de outras importantes entidades, como a CSP – Conlutas. “Mais uma vez essa praça se torna uma praça de luta. Um local de resistência dos trabalhadores. Nós, da CSP – Conlutas, estamos juntos nesta batalha para garantir o pagamento integral do salário de todos os companheiros.”, afirmou Alexandre Guedes, um dos representantes da entidade. Partidos de esquerda, entre eles PSTU, PSOL e POR, compareceram ao movimento e ajudaram a fortalecer a luta.

Alexandre Guedes, da CSP - Conlutas

Agressão a sindicalista

Além de protestar contra a ameaça de parcelamento de salário, os trabalhadores ainda denunciaram o assédio moral no trabalho e a perseguição e violência aos sindicalistas de São Gonçalo do Amarante. Em novembro, a diretora do Sindsaúde, Simone Dutra, foi agredida pelo gerente da Unidade de Saúde do bairro de Jardim Lola, Jean Queiroz. Enquanto Simone tentava fazer uma reunião com os servidores do local, o gerente tentou intimidá-la e chegou a chamar a sindicalista de “vagabunda”. A atitude refletiu o perfil da administração do prefeito Jaime Calado.


“Nós não podemos ter medo, companheiros. Pois é isso o que o prefeito quer. Este é um ato em defesa da liberdade sindical, esta paralisação também é contra o autoritarismo da Prefeitura de São Gonçalo. Não vamos aceitar violência. A ditadura militar já acabou.”, defendeu Simone Dutra.


A campanha de solidariedade à sindicalista também conta com abaixo-assinado e moções de repúdio contra a agressão, já assinadas por diversas entidades.

Simone Dutra, durante o ato público

Espionagem
Provando que sua administração se assemelha bastante ao modo de governar das ditaduras militares, o prefeito Jaime Calado deu outra “aula” de autoritarismo. Em meio à passeata dos servidores, havia um cargo comissionado da Prefeitura infiltrado. Portando um gravador dentro do bolso da calça, ele permaneceu todo o trajeto ao lado do carro de som, gravando tudo o que era dito pelos trabalhadores na manifestação. Ao ser descoberto, o espião recebeu sonoras vaias dos servidores e ainda teve de ouvir os repetidos gritos de “fora traidor”. De forma irônica, os manifestantes ainda disseram que o comissionado estava no ato público para reivindicar o pagamento de seu décimo terceiro, que foi suspenso pelo prefeito.


Após a passeata, em frente à Prefeitura, um outro funcionário de comissão filmava os servidores que protestavam. “Nós não temos medo. Pode filmar, companheiro. Nós vamos enfrentar a ditadura do prefeito Jaime Calado. O Brasil passou por uma ditadura, e ela caiu.”, disse a dirigente sindical Simone Dutra.

Prefeitura mandou infiltrado acompanhar manifestação (gravador no detalhe)