quinta-feira, 31 de março de 2011

Nacional

José Alencar: por que não reivindicamos sua biografia?

Faz algum tempo que uma morte não era recebida com tanta reverência como a do ex-vice-presidente José Alencar, falecido nesse dia 29 de março, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Em tempos de reality show, as últimas horas do empresário de 79 anos, há 13 com câncer, foram exaustivamente acompanhadas pela imprensa.

Nos jornais ou na TV, a imagem de José Alencar esteve ao lado de qualidades como “lutador”, “exemplo de vida”, entre tantos outros. Repórteres emocionados elogiavam sua simplicidade mineira, enquanto analistas discutiam o legado do dono do maior complexo de tecelagem do país.

Políticos e personalidades de todos os matizes declararam luto. Até mesmo parte da esquerda lamentou a morte do ex-vice-presidente. Não apenas o lamento justificável da perda de qualquer vida humana, mas reivindicando, politicamente, o empresário. Um dos dirigentes nacionais do MST, João Paulo Rodrigues, afirmou que Alencar foi “um dos poucos bons burgueses”.

O legado de Alencar

Qual o significado de José Alencar para o país? Embora já fosse um grande industrial estabelecido, proprietário de 11 fábricas tecelãs que formam o complexo da Coteminas, Alencar só foi ganhar destaque político nacional pelas mãos de Lula, na eleição que o levou à presidência em 2002.

Embora Lula credite a seu ex-vice o fato de ter ganhado aquelas eleições, a escolha do industrial para compor a chapa para o Planalto foi bem mais simbólica. O desgaste de FHC e do neoliberalismo, assim como o histórico de Lula como líder operário, já colocavam o petista em uma posição de franco favoritismo frente ao então candidato tucano José Serra. Assim, com ou sem Alencar seria muito improvável que o petista não ganhasse.

O empresário mineiro viria, na verdade, para confirmar a escolha programática do PT em favor do capitalismo, da economia de mercado e da manutenção da política econômica levada dos governos anteriores. Seria necessária uma cara para a famigerada “Carta aos brasileiros”. Lula e José Dirceu decidiram que a cara simpática e bonachona de Alencar se encaixaria perfeitamente aí.

Mais do que amealhar votos, a escolha de Alencar era mais uma mensagem ao mercado. Foi então que se conformou a chapa entre o PT e o PL, então partido do empresário, que mais tarde se transformaria no PRB.

O empresário Alencar

Outro fato que teria pesado para a escolha de Alencar para o posto seria a sua biografia, que se assemelharia a de Lula como exemplo de “superação”. De família pobre do interior de Minas, Alencar trabalhou no comércio durante sua juventude. Na década de 1960, constituiu a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, que contou com generoso auxílio da Sudene na época, para se expandir.

Foi só na década de 1990 que Alencar passou o comando de seus negócios a um de seus filhos e se lançou na vida política. Até então sua atuação se limitava às associações de classe. Foi eleito senador em chapa com Itamar, de quem se tornaria desafeto mais tarde.

Oficialmente, Alencar teria saído do mundo dos negócios. Mas os negócios não saíram dele. Recentemente, documentos vazados pelo site Wikileaks comprovam a intenção da Coteminas de entrar no Haiti. O país ocupado militarmente pelas tropas da ONU comandadas pelo Brasil se tornou o paraíso das fábricas têxteis, devido à abundante e barata mão-de-obra. De lá, os produtos são exportados principalmente aos EUA. A estabilidade propiciada pelos soldados garante o retorno dos investimentos.

Os documentos, de 2009, mostram como o filho de Alencar, Josué Gomes da Silva, presidente do grupo, teria feito lobby para a empresa se beneficiar da Lei Hope II. A lei Hope (Oportunidade Hemisférica Haitiana) foi estabelecida em 2007 e cria uma zona de livre comércio entre o país caribenho e os EUA. Ou seja, além da mão-de-obra barata, a Coteminas teria caminho livre para exportar aos EUA.

Vale lembrar ainda que, entre 2004 e 2006, o então vice José Alencar acumulou também o posto de ministro da Defesa. Ou seja, foi em seu mandato que o Brasil ocupou a liderança da Minustah, a missão de ocupação militar da ONU no Haiti, iniciada em 2004.

Josué Gomes, porém, não escondia o interesse da Coteminas em aproveitar as condições oferecidas pelo país haitiano. “O Brasil é reconhecido colaborador do processo de resgatar o Haiti. O país tem direito de pleitear um tratamento preferencial”, chegou a dizer em entrevista ao Valor, sobre a reivindicação da empresa se beneficiar da Lei Hope.

Alencar não é um dos nossos

Não se deve negar que a figura de Alencar e seu jeito simples não despertassem simpatia. Grande parte de sua popularidade experimentado em seus últimos momentos de vida, porém, deve-se à enorme popularidade de Lula.

Além disso, a orientação ultra-liberal adotada pelo governo Lula principalmente em seu primeiro mandato, fez parecer que Lula estivesse à direita de Alencar. O empresário, no entanto, fez o que qualquer industrial faria: reclamou dos juros altos. Esteve muito longe de qualquer política que pudesse ser considerada minimamente progressista.

José Alencar mesmo que fosse um empresário “íntegro” e “honesto”, de acordo com a moral burguesa, construiu seu império à custa da exploração dos trabalhadores. O capital acumulado por anos de exploração o possibilitou, em idade já avançada, receber o melhor e mais moderno tratamento contra o câncer. Possibilidade que nenhum de seus funcionários teria.

A esquerda tem por tradição reverenciar os seus mortos. Ou seja, reivindicar a trajetória daqueles que deram suas vidas por um mundo melhor, sem exploração. Alencar, porém, não era um deles. Estava na trincheira oposta da luta de classes. Do lado dos exploradores. Por isso, apesar da comoção nacional insuflada pela mídia, José Alencar não é um de nossos mortos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

São Gonçalo do Amarante

CONCURSO PÚBLICO DIVULGADO PELA PREFEITURA É FRUTO DE LUTAS DO SINTE E DO SINDSAÚDE

A Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante abriu novo concurso público com oferta de 420 vagas para todos os níveis de escolaridade. As inscrições podem ser feitas pelo site da empresa organizadora, a Asperhs Cosultoria, desde o dia 28 de março e vão até o dia 29 de abril (clique aqui para ver edital). Há vagas para a saúde, educação e assistência social, entre outras áreas. Este concurso é resultado de muita luta e pressão feitas pelos sindicatos da saúde (Sindsaúde) e da educação (Sinte) ao longo dos dois últimos anos. Durante esse tempo, os sindicatos fizeram protestos, greves e denúncias junto ao Ministério Público para mostrar a necessidade de se contratar mais pessoal e acabar com contratos temporários de trabalho.

Concurso é uma conquista, mas apresenta falhas

A divulgação de um novo concurso público é uma conquista do conjunto dos trabalhadores de São Gonçalo e pode representar uma melhora na prestação dos serviços públicos para a população. Entretanto, analisando o edital, o Sindsaúde encontrou diversas irregularidades que ferem, principalmente, o Plano de Cargos, Carreira e Salários dos servidores. O sindicato enviou ofício para a Promotoria do município com o objetivo de que sejam corrigidos os erros do edital.

Abaixo, veja o que está irregular.

1.O salário-base divulgado para o nível superior da saúde de R$ 912,00 está errado, pois em janeiro de 2011 o salário passou a ser de R$ 1.030,56, após reajuste de 5% para todos os servidores que recebem acima do Salário Mínimo Nacional;

2.Da mesma forma, o salário-base do nível médio divulgado em R$ 646,00 também está errado, sendo agora de R$ 729,98;

3.O anexo I do Edital refere-se a vencimentos, mas divulga apenas o salário-base, pois os vencimentos dos servidores da saúde hoje são compostos por salário-base, adicional de insalubridade, gratificação de produtividade e, a depender do local de trabalho, há as gratificações do PSF, CEO, entre outras. Portanto, consideramos errado divulgar apenas o salário-base e ainda classificá-lo como vencimentos;

4.Não há um critério legal no estabelecimento da jornada de trabalho e salário, por exemplo: dentista do CEO tem carga horária de 20 horas, fisioterapeutas de 30 horas e fonoaudiólogos de 40 horas, mas todos tem salário-base de R$912,00;

5.O Edital desconsidera a existência das Leis Nº 430/1993 e Nº 1.144/2007 do Plano de Cargos e Salários que estruturam os cargos e as carreiras dos servidores municipais, inclusive da saúde. A disposição da carga horária diferenciada não tem amparo legal por não se apoiar nas referidas leis. Além disto, traz uma clara diferenciação e quebra de isonomia salarial com os atuais servidores;

6.O Edital estabelece nova carga horária diferenciada para fisioterapeutas, biólogos, dentistas e psicólogos de 30 horas e para médicos especialistas em 20 horas. Dessa forma, a saúde pública teria servidores regidos por carga horária e salários diferenciados.

São Gonçalo do Amarante

SECRETARIA DE SAÚDE RESPALDA PERSEGUIÇÃO NO TRABALHO E TRANSFERE SERVIDORA DE JARDIM LOLA

A Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, agora comandada por Clotilde Macedo, mostrou mais uma vez que não respeita os direitos dos servidores. Numa clara demonstração de apoio ao gerente da Unidade de Saúde de Jardim Lola, Jean Queiroz, que assedia moralmente funcionárias no trabalho, a Secretária Clotilde manteve a decisão ilegal de transferir a recepcionista Márcia Régia para a unidade de Regomoleiro. Márcia recebeu das mãos de Jean Queiroz o memorando que a devolvia para a Secretaria de Saúde no dia 25 de fevereiro, logo após se apresentar à Justiça para depor contra o gerente de Jardim Lola, na época acusado de agredir a enfermeira e sindicalista Simone Dutra.

Transferência ilegal

A transferência da recepcionista Márcia Régia é ilegal e demonstra perseguição política justamente porque os procedimentos corretos da administração pública não foram cumpridos. A Secretária Clotilde afirmou que a funcionária estava sendo devolvida em função de uma necessidade do posto de saúde de Regomoleiro. Entretanto, o memorando entregue por Jean Queiroz à servidora afirmava que a funcionária seria devolvida por se ausentar constantemente do local de trabalho.

Se a funcionária estava cometendo uma falha, antes de ser devolvida para a Secretaria de Saúde, ela deveria ter recebido duas advertências, uma verbal e outra escrita. Nenhuma das duas foi feita. Além disso, um processo administrativo precisava ser aberto, com direito de defesa para a servidora. Algo que também não aconteceu. A manutenção da transferência de Márcia Régia só mostra que a Secretária Clotilde atendeu ao pedido do gerente Jean Queiroz e vai punir injustamente a servidora, passando por cima dos procedimentos da administração pública.

Sindicato entrou com ação na justiça

O Sindsaúde de São Gonçalo está movendo uma ação na justiça contra a decisão da Secretaria de Saúde. Além de pedir o retorno imediato de Márcia Régia para a unidade de Jardim Lola, o sindicato também entrou com uma ação contra o assédio moral praticado pelo gerente Jean Queiroz.

Nova Secretária de Saúde é fantoche nas mãos da Prefeitura

Mesmo com a saída da autoritária Zenaide Calado da Secretaria de Saúde, ainda não houve mudança na postura de repressão da Prefeitura. Embora receba o sindicato, a nova Secretária Clotilde Macedo não está mostrando disposição para resolver os problemas dos trabalhadores. Prova disso é o fato da Secretaria ter aceitado os desmandos do gerente de Jardim Lola, mesmo sabendo que a decisão de transferência era ilegal. Como se vê, a nova Secretária não passa de um fantoche nas mãos do prefeito Jaime Calado e seus aliados.

1º de Abril

NO DIA DA MENTIRA, TRABALHADORES DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO VÃO PROTESTAR CONTRA PREFEITO JAIME CALADO

O dia 1º de abril é o dia de lutar contras as mentiras do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PR).

O prefeito diz que os professores tiveram 35% de reajuste salarial, que as escolas foram reformadas e que a merenda é de boa qualidade. Tudo mentira. As escolas continuam caindo aos pedaços, sem carteiras e com rachaduras. Numa escola, inclusive, o Promotor de Justiça encontrou merenda vencida.

Na saúde, os agentes não recebem o salário-base de R$ 714,00, possuem uma gratificação menor do que a dos demais servidores e ainda sofrem com o assédio moral. A população continua recebendo uma saúde pública sem qualidade, onde a Prefeitura sempre dificulta o atendimento.

Além disso, os trabalhadores estão perdendo direitos e sendo perseguidos pela Prefeitura. O abandono dos serviços públicos também está piorando a vida população. Se tem alguém feliz em São Gonçalo, com certeza não são os servidores nem o povo.

Por isso, os sindicatos da saúde e da educação convidam todos os trabalhadores para participarem deste protesto, no dia 1º de abril, sexta-feira, às 8 horas, na praça Dinarte Mariz, no centro de São Gonçalo. Vamos todos lutar contra as mentiras do prefeito Jaime Calado!

Eleição

SINDSAÚDE DE SÃO GONÇALO PUBLICA EDITAL PARA ELEIÇÕES


segunda-feira, 28 de março de 2011

Corrupção

STF dá sinal verde aos “fichas-suja”

Embora encontre respaldo no rechaço da população aos políticos, lei não impede corrupção e pode ser usada para criminalizar movimentos sociais

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a lei de iniciativa popular do “Ficha Limpa” foi um balde de água fria para aqueles que achavam possível a moralização da política. Em uma votação apertada, por 6 a 5, o STF decidiu que a lei não valeu para 2010.

A decisão vai alterar a composição do Congresso Nacional e das assembleias legislativas nos estados. Com a lei invalidada pelo tribunal, políticos condenados que concorreram nas últimas eleições e foram impedidos de assumir, devem agora tomar seus lugares no parlamento. O caso mais emblemático é o da senadora Marino Brito (PSOL), do Pará, que deve ceder seu lugar a Jader Barbalho (PMDB).

Decisão judicial

A maioria do STF concluiu que o Ficha Limpa, ao ser aprovada em 2010, não poderia influir nas eleições do mesmo ano. A decisão contraria o Supremo Tribunal Eleitoral, que validou a lei no ano passado. No mesmo ano o próprio STF começou a votar a lei, mas diante de um impasse na votação, resolveu esperar a nomeação do novo ministro que substituiria Eros Grau, que acabava de se aposentar.

E não deu outra. O ministro nomeado por Dilma, Luiz Fux, não decepcionou e, diante de uma votação empatada, bateu o martelo em favor dos políticos corruptos. Contando com Jader, três senadores barrados pela lei devem assumir. Na Câmara dos Deputados, 29 políticos aguardam decisão da Justiça.

Fux, aliás, parece ter mudado de opinião sobre a lei. A senadora do PSOL que vai deixar seu lugar para Jader Barbalho, relembrou que a posição do atual ministro era outra, quando foi sabatinado pelo Senado. Segundo ela, ele teria dito que “a Justiça não pode ficar de costas para a intencionalidade da lei”.

A verdade é que, apesar de toda a argumentação técnica e jurídica dos ministros do STF, o julgamento do STF é político. Como “argumentou” o ministro Gilmar Mendes, conhecido por proferir sentenças favoráveis ao banqueiro Daniel Dantas, “é preciso ter cuidado com esse interesse, o sentimento popular”.

Lei pode nem valer para 2012

O STF decidiu que o Ficha Limpa não poderia valer para as eleições realizadas em 2010. Subtendia-se, assim, que entraria em vigor já em 2012. Mas nem isso está garantido. Após a decisão do STF ganharam força setores que defendem a rejeição por completo da lei. Isso se daria através da contestação de ponto por ponto. Como atestou o ministro Ricardo Lewandowski, a lei do Ficha Limpa vai ser “fatiada como salame”.

Desta forma, já se contesta, por exemplo, a lei sob o aspecto da “presunção da inocência”. Mesmo que o Ficha Limpa só afete quem é condenado em segunda instância pela Justiça.

Ficha Limpa não acaba com a corrupção

A decisão de Fux mostra como o Judiciário funciona como braço jurídico de interesses de corruptos e poderosos. Não pode esconder, porém, a ineficiência do Ficha Limpa, caso fosse plenamente implementada.

O Projeto de Lei Popular 518/09 foi apresentado no Congresso com 1,9 milhão de assinaturas. Idealizada após inúmeros casos de corrupção, a lei causou certa comoção popular, amparando-se no cansaço da população após tantos escândalos protagonizados em Brasília. Nisso, até mesmo parte da esquerda chega a defender o projeto, como meio de se moralizar a política.

O problema é que o Ficha Limpa não garante o fim da corrupção. No máximo, causa alguns constrangimentos legais a um ou outro político, mas plenamente contornáveis na Justiça. Basta ver, além de Jader Barbalho que retorna ao Senado, o próprio Paulo Maluf (PP-SP), um ícone da corrupção no país. Além de ser novamente deputado, ele faz parte da comissão responsável pela Reforma Política, medida que ameaça tornar ainda mais antidemocrática a legislação eleitoral.

Além disso, o Ficha Limpa pode ser utilizado para criminalizar movimentos sociais, impedindo que ativistas injustamente condenados possam se candidatar a cargos públicos. Basta lembrar que o então relator da lei na Câmara, o deputado Índio da Costa (DEM), elencava o “crime” de “invasão de terras” entre os crimes que poderiam barrar algum candidato. Índio da Costa usou o projeto como trampolim político, tornando-se o vice de José Serra na disputa da presidência logo depois.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Um dia a casa cai...

DESCASO COM ESCOLAS PÚBLICAS DE CEARÁ-MIRIM ACABA EM DESMORONAMENTO

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte) de Ceará-Mirim denunciou há meses a situação precária das escolas do município, mas o prefeito Antônio Peixoto preferiu fechar os olhos.

A chuva que caiu na tarde desta quinta-feira (24) em Ceará-Mirim/RN serviu apenas para mostrar a situação de miséria em que se encontram as escolas públicas do município. Por pouco, o Centro Educacional Rural (CERU), na comunidade de Coqueiros, não foi palco de uma tragédia mais do que anunciada. Parte da fachada do prédio, onde existia uma escadaria, desmoronou com as chuvas. A escada que ruiu dava acesso à porta de entrada e saída da unidade de ensino. Segundo informações recebidas, a escola estava funcionando e havia pessoas no local.

Desde o ano passado, o Sinte/RN de Ceará-Mirim vinha denunciando as péssimas condições de estrutura das escolas do município. No caso do CERU de Coqueiros, o sindicato avisou várias vezes à Prefeitura sobre as rachaduras existentes no prédio, assim como em outras unidades de ensino. As fendas na escada foram fotografadas e estavam expostas no blog do Sinte/RN há meses. Mas o prefeito Antônio Peixoto (PR) preferiu fechar os olhos para o problema.

As chuvas desta quinta-feira deram um aviso. As escolas de Ceará-Mirim não possuem condições para funcionar. O Sinte/RN exige que nem a Prefeitura nem o Ministério Público esperem que aconteça no município o mesmo o que aconteceu em São Tomé no último dia 22, quando as paredes de uma escola desabaram sobre os alunos e a professora. Afinal, o episódio do CERU da comunidade de Coqueiros pode se repetir em outros locais. Desta vez, com consequências mais graves. E a chuva não é a culpada.


Greve na educação chegou ao fim, mas problemas não.


A GREVE DOS PROFESSORES MUNICIPAIS DE NATAL TERMINOU, mas o ano letivo ainda não começou para muitos alunos. O motivo é que muitas escolas apresentam problemas que impossibilitam o início das aulas.

Exemplos não faltam. No Centro Municipal de Educação Infantil Maria Ilka, em Nova Descoberta, os alunos continuam sem aula por falta de merenda e de professores. Situação que se repete por toda rede de ensino de Natal.

Os problemas se acumulam com a falta de carteiras, material de expediente e prédios com estrutura física sem condições de abrigar a comunidade escolar. São necessidades que há muito tempo vem sendo denunciadas.

A realidade mostra que não foi a greve dos professores que impediu o início das aulas na rede municipal. Com o fim da greve, a prefeita Micarla de Souza tem a obrigação de responder por que muitos alunos continuam sem aula, quando as escolas deveriam estar preparadas para iniciar o ano letivo.

Os professores estão nas escolas. Agora, falta o poder público assumir a responsabilidade de oferecer condições de trabalho e escola de qualidade para todos. De acordo com o SINTE/RN, “para a rede como um todo – incluindo o ensino fundamental – funcionar plenamente, a Secretaria Municipal de Educação precisa contratar cerca de mil profissionais, entre professores, auxiliares de sala (para a educação infantil) e de serviços gerais”.

O mofo e o abandono tomam conta das escolas e CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil). O CMEI Stela Lopes, em Nova Natal, com mais de 300 crianças matriculadas, não está recebendo verbas porque a direção não conseguiu fazer a renovação dos titulares da Unidade Executora, junto ao 2º Cartório, que acumula débitos da Prefeitura Municipal de Natal. Sem dinheiro não tem merenda nem material de limpeza e higiene. A exemplo de outros, no CMEI Stela Lopes as salas estão sem aula, mesmo com o fim da greve.

Muitas escolas nem iniciaram as aulas, outras funcionam em horário reduzido

Os motivos vão desde a falta de merenda a problemas de infraestrutura, além de déficit de professores. Na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo alunos são liberados mais cedo. A diretora Maria Rosilandy Feitosa afirmou que a secretaria autorizou a matrícula excedente de alunos, garantindo que iria resolver a situação. “Agora os pais ficam cobrando uma solução da escola e a secretaria de educação ainda não resolveu esse problema”. Ela afirma ainda que não há professores suficientes para normalizar as aulas.

Toda essa situação revela o desprezo do poder público com a manutenção de serviços essenciais para a população, como educação, saúde, transporte e segurança. Enquanto os filhos dos trabalhadores enfrentam essa triste realidade, os filhos desses governantes que transformam os serviços públicos em sucatas têm planos de saúde, segurança privada, não andam de coletivo e estudam em escolas particulares.


Fonte: CSP - Conlutas/RN

Natal/RN

DESAPROVAÇÃO DA PREFEITA CHEGA A 84%

A pesquisa do Instituto Consult mostra que a administração da prefeita Micarla de Sousa (PV) atingiu um dos maiores índices de desaprovação dos últimos anos em Natal. De acordo com o Consult, 84,5% desaprovam a gestão neste início da segunda metade do mandato. Isto equivale a dizer que oito em cada grupo de dez natalenses estão insatisfeitos com a administração municipal. No caso dos quem têm curso superior esse porcentual é ainda maior: 91,2%.

Na análise feita por regiões administrativas, a rejeição é maior na Zona Sul (88,5%), onde a prefeitura enfrenta problemas com o saneamento e pavimentação de ruas em Capim Macio, bairro de classe média alta de Natal. Na Zona Norte, onde houve uma votação massiva na então candidata do PV, a desaprovação é de 84%. A prefeita Micarla de Sousa disse ontem que a pesquisa é um retrato do momento. Mas o índice cresceu de dezembro para cá. Na pesquisa passada, a desaprovação era de 77,6%.

Fonte: Tribuna do Norte - 25/03/2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Desrespeito

SINDAS FAZ CAMPANHA PARA AGENTES SE DESFILIAREM DO SINDSAÚDE

O Sindicato dos Agentes de Saúde do RN (Sindas) está fazendo uma campanha para que os agentes se desfiliem do Sindsaúde de São Gonçalo. Essa atitude do Sindas esconde um perigoso plano para os agentes de saúde (ACS) e de endemias (ACE). Está em jogo uma importante questão: as categorias de ACS e ACE vão continuar com um sindicato de luta, que nunca se vendeu, ou vão arriscar se filiar a um sindicato ligado aos governos?

O que o Sindas está fazendo?
O Sindas está usando um método desonesto para desfiliar os trabalhadores do Sindsaúde. Está querendo retirar os sócios da entidade sem que as desfiliações passem pelo sindicato. Sem respeitar a direção do Sindsaúde, o Sindas tenta passar por cima do sindicato que representa há mais de 10 anos os agentes de saúde e de endemias no município. Todo trabalhador pode se filiar ou desfiliar de seu sindicato, desde que o procure para fazer isso.

Sindas se rende aos governos e não luta pelos agentes
O Sindas tem três anos de existência e nunca fez uma greve para lutar em defesa dos direitos dos agentes. O Sindas aceitou o aumento na jornada de trabalho dos agentes de endemias em Natal, fazendo com que os trabalhadores perdessem o horário corrido e tivessem perdas salariais. Este sindicato não foi capaz de convocar uma greve para impedir o fim do horário corrido, que já existia há 8 anos. Tudo isso porque o Sindas não queria enfrentar a prefeita Micarla de Sousa (PV), já que a direção deste sindicato tem uma relação muito amigável com a Prefeitura.

Como se pode ver, o Sindas é um sindicato ligado aos governos e a partidos que não defendem os trabalhadores, como é o caso do PT e do PCdoB que são aliados do prefeito Jaime Calado (PR).

Por que não se desfiliar do Sindsaúde?
O Sindsaúde está há mais de 15 anos defendendo todos os trabalhadores da saúde, inclusive os agentes. Neste período, o sindicato nunca se vendeu aos governos, nem traiu as categorias. Sair do Sindsaúde significa enfraquecer as lutas e deixar que um sindicato ligado ao prefeito Jaime Calado passe a representar os agentes. Por isso, continuar filiado ao Sindsaúde é manter a luta contra os governos que tentam retirar direitos e diminuir salários.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Atenção Trabalhadores!

Deu na Imprensa

Sala de aula desaba sobre crianças em São Tomé

Professora evitou que alunos fossem feridos de maneira mais grave


O terror de ver as paredes e o teto da sala de aula desabarem sobre si vai ficar marcado na memória e mesmo no corpo de dez crianças que estudam no 4º ano "A" da Escola Municipal Euzébio Fernandes Bezerra, em São Tomé, a 100km de Natal. Por volta das 9h de ontem (22), a estrutura da sala cedeu, caindo sobre os estudantes e a professora, Maria de Jesus. Apesar disso, o acidente poderia ter sido mais grave, já que a docente chegou a apoiar uma parede sobre suas costas para que ela não ferisse gravemente seus alunos.

Todas as vítimas tiveram apenas ferimentos leves. A prefeitura pediu ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea/RN) que fizesse uma vistoria no local para avaliar as causas e as responsabilidades pelo acidente. O prédio foi completamente interditado pelo Corpo de Bombeiros.

Dentro da sala estavam 29 crianças, entre oito e 11 anos, além da professora. Ao lado, uma nova sala de aula estava sendo construída. Em uma outra sala vizinha, o pedreiro José Cosme da Silva Filho instalava, juntamente com outro colega, uma grade na janela lateral. Ele diz ter tomado um grande susto quando ouviu as paredes ruírem. "Ao ouvirmos o estrondo, nos desesperamos. Tentamos entrar pela porta da sala, mas não deu. Então demos a volta, pelo lado que desabou e ajudamos a retirar as crianças da sala".

Segundo o pedreiro, a tragédia não foi pior porque a professora segurou, com as costas, parte da parede que estava para cair. As paredes do quadro negro e da lateral também cederam e, com elas, parte do teto apoiado sobre essas estruturas.

Ao todo, dez crianças se feriram com o acidente. Todas foram levadas para o pronto-socorro local, com ajuda de populares e familiares. Quatro delas, juntamente com a professora, precisaram ser transferidas para o hospital da cidade vizinha, São Paulo do Potengi, para serem submetidas a exames de raios-x. Nenhuma delas sofreu qualquer fratura e, depois dos atendimentos médicos, foram liberadas. Já a professora Maria de Jesus ficou sob observação, pois também ficou abalada emocionalmente com o ocorrido.

Fonte: Diário de Natal - 23/03/2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Luta

SINDSAÚDE DE SÃO GONÇALO JÁ PREPARA CAMPANHA SALARIAL 2011

O Sindsaúde de São Gonçalo do Amarante começou a preparar a Campanha Salarial 2011 dos servidores municipais. O sindicato já fez os cálculos sobre o reajuste dos salários dos trabalhadores e irá discuti-lo numa assembleia geral das categorias. A assembleia está marcada para o dia 24 de março, às 10 horas, no Clube dos Correios. Na ocasião, os servidores também vão decidir quais as outras reivindicações que serão apresentadas ao prefeito Jaime Calado (PR).

Reajuste salarial de 43,4% para os níveis elementar e fundamental; nos níveis médio e superior a briga é por 30,4% de aumento
O diretor do sindicato, Vivaldo Júnior, fez as contas. O reajuste salarial dos servidores dos níveis elementar e fundamental precisa atingir, no mínimo, 43,4%. Desde 2007 estes trabalhadores não recebem aumento. Os cálculos do Sindsaúde foram feitos com base nos aumentos do salário mínimo de 2007 até 2011. Estes reajustes nunca foram repassados para os servidores. Para se ter uma ideia, no Plano de Cargos, o salário-base do nível elementar ainda é de R$ 380. A Prefeitura nunca fez as atualizações.


Já para os trabalhadores dos níveis médio e superior, de acordo com os cálculos do sindicato, o reajuste precisa ser de no mínimo 30,4%. As contas também foram feitas com base nos aumentos do salário mínimo de 2007 para cá. Mesmo as categorias que fazem parte destes níveis tendo recebido um reajuste de 13%, referente a junho de 2010 e janeiro de 2011, o valor ainda é inferior ao que os servidores têm direito.

Por isso, o Sindsaúde convoca todos os trabalhadores para uma assembleia geral da saúde no dia 24 de março, às 10 horas, no Clube dos Correios. É hora de apresentarmos nossas reivindicações ao prefeito Jaime Calado e lutar por nossos direitos.

Humor

segunda-feira, 21 de março de 2011

Internacional

O que fica da visita de Obama ao Brasil?

Presidente norte-americano sai do país deixando para trás acordos comerciais, promessas de petróleo, humilhações e 13 presos políticos

O presidente norte-americano nem havia deixado o Brasil e, no balanço que a imprensa fazia de sua rápida visita, além da euforia e do exagero, havia também um certo tom de frustração. Obama não deu apoio claro ao Brasil a uma vaga permanente do Conselho de Segurança da ONU, como governo e imprensa esperavam. No comunicado aos jornalistas, ao lado de Dilma, apesar dos elogios, o presidente norte-americano apenas demonstrou “apreço” às vontades do governo brasileiro.

E se os eventos oficiais não chegaram a empolgar a anunciada “visita histórica”, a agenda “turística” foi ainda mais apagada. Resumiram-se às tradicionais apresentações culturais. O discurso público da Cinelândia foi cancelado apenas um dia antes. A delegação alegou questões de segurança, mas houve quem atribuísse a desistência à falta de garantias de público e o temor de protestos entre o público na praça.

O sentido da visita
Obama desceu no Brasil com dois objetivos. O primeiro, e declarado, foi estabelecer acordos comerciais, derrubando tarifas alfandegárias, a chamada TECA, na sigla em inglês. E a razão disso, o próprio norte-americano não escondeu: os EUA estão em crise e precisam aumentar as exportações e o Brasil é um mercado grande e em expansão.


Mas os olhos de Obama estavam voltados mesmo ao pré-sal. “Estamos criando um novo diálogo estratégico sobre energia para garantir que as cúpulas dos nossos governos trabalhem conjuntamente para aproveitar novas oportunidades, em particular, como as novas descobertas de petróleo no Brasil”, discursou no Planalto. Com a instabilidade política no Oriente Médio, os EUA enxergam no Brasil uma oportunidade de ouro para extorquir o petróleo. Além da estabilidade, o governo norte-americano encontra aqui uma completa obediência aos seus interesses.

Obediência cujos exemplos foram numerosos em tão rápida visita. Como na revista dos ministros de Dilma na entrada do pronunciamento de Obama aos empresários. Os ministros Guido Mantega (Fazenda), Edson Lobão (Minas e Energia), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento) foram revistados por seguranças norte-americanos em seu próprio país. A situação lembrou o vexame do então chanceler Celso Lafer, no governo FHC, obrigado a tirar os sapatos para entrar nos EUA.

Apesar do discurso de igualdade, nem na aparência, o governo brasileiro conseguiu esconder seu papel subordinado.

Bombas entre um brinde e outro
O outro objetivo de Obama foi midiático. O presidente tentou reforçar sua imagem popular e amigável, fazendo crer que nada tinha a ver com Bush e seus antecessores. E contou com a generosa ajuda da imprensa brasileira, que fez uma cobertura amplamente favorável ao norte-americano. O fato de Obama ser negro foi tomado como elemento de identificação com os brasileiros.


Os fatos, porém, mostram que por trás do sorriso de Barack, esconde-se o velho imperialismo dos EUA. Uma cena descrita no jornal Folha de São Paulo ilustra muito bem isso. No início da tarde do dia 19, Obama participava de uma recepção oferecida pelo Itamaraty. Na hora do brinde, o presidente foi interrompido por um assessor, que lhe entregou um telefone. Após algumas poucas palavras, o presidente voltou ao seu brinde. Acabava de autorizar o bombardeio aéreo na Líbia.

Já no discurso feito no Theatro Municipal, Obama elogiou a democracia, chegando a lembrar a luta da então guerrilheira Dilma Roussef contra a ditadura no Brasil. Nenhuma palavra foi dita, é claro, sobre o envolvimento dos EUA no golpe militar de 1964. Ou do apoio que prestavam até ontem para as ditaduras amigas do Oriente Médio e do Norte da África, como o próprio Kadafi.

O que essa visita mostrou?

A visita em si não teve grandes novidades e, ao contrário do tom eufórico da imprensa, não contou com manifestações de apoio na sociedade. Mas, por outro lado, revelou muitas coisas. Primeiro, o empenho do governo brasileiro em se mostrar fiel subordinado do imperialismo. O fato de Obama ter ordenado o bombardeio à Líbia de dentro do Itamaraty é simbólico.

Os governos uniram-se para estender o tapete vermelho ao chefe do imperialismo. Até mesmo a Justiça mostrou sua submissão. A prisão dos 13 manifestantes na noite do dia 18, durante um protesto, foi um fato sem precedentes. O argumento do juiz que determinou a manutenção das prisões fala por si só: os detidos representariam “ameaça à ordem pública” enquanto Obama estivesse aqui e poderiam “macular” a imagem do país.

Mas não foi só isso. A ordem expressa do PT e do Planalto aos seus militantes, proibindo manifestações contra Obama, revela o apoio do partido ao imperialismo e desmascara seu papel nos movimentos sociais. Um fato inédito e histórico: uma ordem do Partido dos Trabalhadores para que seus filiados não comparecessem a um ato contra um presidente dos EUA, a um ato contra o imperialismo.

A visita de Obama, assim, mostrou um governo brasileiro ainda mais submisso, empenhado em entregar nosso petróleo ao imperialismo e abrir o mercado aos EUA. Revelou uma Justiça que se mostra capaz de atropelar a Constituição para defender os interesses dos EUA, como se estivéssemos em um Estado de Sítio.

Obama, por fim, se despede do Brasil deixando para trás acordos comerciais e a garantia de petróleo para sua indústria e seus carros. Deixa ainda 13 presos políticos e a certeza de que, infelizmente, para uma parte do movimento sindical brasileiro, o imperialismo deixou de ser um inimigo.