sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Cultura Popular
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Cultura Popular
Este ano o carnaval de Natal ganha um brilho a mais. Organizado por trabalhadores da educação do estado e da capital, o bloco “Cuscuz Alegado” vai animar a festa com muita crítica social e irreverência, denunciando principalmente os problemas enfrentados pelo ensino público no Rio Grande do Norte e no Brasil. O bloco desfilará sua ironia pelas ruas de Ponta Negra e da Redinha e terá paródias de marchinhas tradicionais, além da música do grupo Resistência da Lata e muitas caricaturas de personagens que maltrataram a educação e os educadores em 2011.Segundo os organizadores, também não vai faltar para os foliões aquele cuscuz caprichado e muita diversão. Para participar do bloco, basta levar uma camiseta (de preferência na cor amarela) que será grafitada na hora.
Para a professora Amanda Gurgel, uma das organizadoras do “Cuscuz Alegado”, o bloco tem o objetivo de levar alegria e reflexão social para os trabalhadores durante o carnaval de Natal. “O carnaval é tradicionalmente uma festa popular, que serve para as pessoas se divertirem, vestirem suas fantasias e satirizarem os problemas do cotidiano. O Cuscuz Alegado é para isso. É para dizer que não esquecemos, nem nos dias de festa, o que os governos fazem com a educação pública.”, destacou Amanda.
Veja a programação do bloco:
Dia 18/02 - Sábado – Ponta Negra: Concentração às 16h, na Praça do Vilarte, seguindo o cortejo oficial até o Ponto Sete.
Dia 20/02 - Segunda-feira – Redinha: Concentração às 16h, na Praça do Cruzeiro, seguindo o cortejo oficial retornando à praça.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Cultura Popular
O novo filme do cineasta, cordelista e professor Hailton Mangabeira "Tu se alembra?" será gravado em Lagoa do Sítio e terá como destaque a Cia. Interart de Teatro. Todos os atores da companhia teatral participarão do filme: Charles Sales, Nara, Daiane, Carlinhos, Diego, Bal, Hilton, Laércio, Lenivaldo, Raniela, Laiane, Adriana e Aldeci. Também terá a participação especial de Alexandre Ribeiro e Gilberto Ribeiro. A direção geral ficará por conta de Lula Borges. A direção artística ficará por conta de Gláucio Câmara e Míriam Cidade.O roteiro está pronto e as oficinas para a preparação artística e também a de audiovisual já começaram. Foram realizadas visitas à comunidade de Lagoa do Sítio e escolhidos os cenários para as gravações das cenas. Além dos artistas da Cia. Interart de Teatro, haverá a participação de moradores do local como figurantes. As gravações acontecerão nos meses de março e abril. O lançamento deve ocorrer, provavelmente, ainda no primeiro semestre.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de São Gonçalo do Amarante (Sinte/RN) é um dos patrocinadores do projeto do professor Hailton Mangabeira.
Com informações do Blog Cordelista Hailton Mangabeira
domingo, 15 de maio de 2011
Cultura
“Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954, na cidade de Campina Grande, Paraíba, e é filho adotivo de Itabaiana, também na Paraíba, onde reside desde 1983.” .É dessa forma que o poeta e prosador matuto Jessier Quirino se apresenta. Singelo como todo sertanejo, o artista paraibano é hoje, incontestavelmente, um dos nomes mais importantes na luta em defesa da cultura nordestina. Dono de uma capacidade bastante apurada para observar tudo aquilo que o rodeia, Jessier traduz em seus livros e recitais os hábitos, a linguagem, a vida do homem do sertão e seu modo de ver o mundo. Assim, através de grande bom humor e sensibilidade, o poeta reconstrói um curioso e particular universo matuto.O arquiteto domador de palavras
Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo, Jessier Quirino fez os primeiros estudos em Campina Grande e no Recife, formando-se depois em Arquitetura na cidade de João Pessoa, em 1982. Embora ainda exerça sua profissão, os dias e a agenda do poeta têm sido preenchidos quase que completamente pela literatura e apresentações pelo Brasil. Jessier pode até se considerar um autodidata, já que nunca fez nenhum tipo de curso sobre técnicas literárias. Toda sua intimidade com a prosa e os versos vem de uma destreza para “desenhar” as rimas e a métrica de seus textos, o que faz de Jessier Quirino um arquiteto domador de palavras.
Cronista, poeta e contador de causos matutos
A obra de Jessier está reunida, até o momento, em oito livros que retratam com precisão o cotidiano da vida no sertão nordestino. Entre seus principais trabalhos, destacam-se Paisagem de Interior, Agruras da lata d'água, Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão, Prosa Morena, Bandeira Nordestina e Berro Novo. Alguns dos livros do artista, inclusive, vêm acompanhados de CD´s que trazem narrativas de causos matutos, composições declamadas e poemas musicados. Assim, a arte de Jessier Quirino, além de resgatar os costumes e as características do sertanejo, também não deixa de ser herdeira da tradição oral que havia antes da invenção da linguagem escrita.
Como um cronista da tradição nordestina, influenciado pela literatura de cordel, Jessier lança seu olhar minucioso sobre os aspectos que compõem o cenário do sertão. Em Paisagem de Interior, poema que também dá nome ao livro, Jessier Quirino descreve com perfeição milimétrica o ambiente onde vive o matuto. “Três moleque fedorento morcegando um caminhão / chapéu de couro e gibão / bodega com surtimento / poeira no pé de vento / tabulêro de cocada / banguela dando risada / das prosa do cantador / buchuda sentindo dor/ com o filho quase parido / isso é cagado e cuspido / paisagem de interior.".
A sensibilidade e o bom humor do poeta ao descrever os traços que marcam os interiores do Nordeste, utilizando-se de expressões típicas do sertanejo, estão presentes em praticamente toda sua obra. O deslumbramento e a estranheza do sertanejo diante das contradições entre a cidade grande e o campo também aparecem de forma divertida na literatura de Jessier. Em Berro Novo, seu livro mais recente, o contador de causos matutos explica quais as razões que levam alguém a ter um problema cardíaco. “Mas cumpade véi, eu vou dizer um negócio a você: uma coisa que não existe no sertão é pobrema cardíuco! O pobrema cardíuco é uma doença que se adquere com o vírus da letra i: Imposto de Renda; IPTU; ICMS; Implacamento de Carro, Ingarrafamento e Istresse! Essas são as palavra que causa pobrema cardíuco; e no sertão não tem essas palavra!".
A obra de Jessier Quirino está repleta de situações cômicas, sempre destacando o matuto e sua maneira de ver o mundo. Há, inclusive, um personagem que constantemente marca presença nos livros do autor. Mané Cabelim é um matuto enrolado, todo metido a sabido, que a todo instante está envolvido em situações escabrosas e sendo passado para trás. Ele representa exatamente o contrário da esperteza do sertanejo nordestino, tão comum no universo de Jessier.
Mas o lirismo poético e a beleza das paixões também possuem espaço garantido nos versos do poeta. Em Paixão de Atlântico na Beira do Mar, poema integrante do livro Berro Novo, Jessier Quirino dá uma amostra de versatilidade literária e de capacidade para criar imagens simbólicas. “E a moça abeirando meus véus de espuma / Olhar de cupido a me recear / Aqui... bem aqui! O cabelo a voar / De cor, cor-de-cuia de louro brejeiro / Seus pés, de mansinho, me tocam primeiro / E a boca em suspiro aspira o meu ar / Recolhe os bracinhos a se arrupiar / E se carrapixam os poros e pelos / Os outros primores, eu nem pude vê-los / Morri de Atlântico na beira do mar.".
A poesia como arma política
Para um artista tão sensível e atento ao mundo que o circunda, a picaretagem da política brasileira não poderia passar despercebida. No poema Politicagem, do livro Bandeira Nordestina, Jessier Quirino dispara seu arsenal matuto e rebelde contra a corrupção. “A tal da politicagem / É o acento circunflexo / Da palavrinha cocô... / É feito brigar com gambá / Pois mesmo o cabra ganhando / Sai arranhado e fedendo.".
Mas a composição mais afiada mesmo fica por conta do poema Virgulino Lampião, Deputado Federá, escrito no formato de um discurso ficcional do famoso cangaceiro. “Seus Dotôres Deputado / falo sem tutubiá / pra mostrá que nós matuto / sabe se pronunciá / dizê que tá um presídio / com dó e matuticídio / a vida nesse lugá. / O Brasí surgiu de nós / nós tudo que vem da massa / deram um nó no mêi de nós / que nós desse nó não passa / e de quatro em quatro ano / vem vocês com o véio plano / desata o nó e se abraça. / Tamo chêi dessa bostice / de promessa e eleição / dos que vem de vez em quando / se rindo, estendeno a mão / candidato a caloteiro / aprendiz de trapaceiro / corruto, falso e ladrão.".
Ignorando os limites entre prosa e poesia, a arte de Jessier Quirino lança mão de sua singeleza e criatividade para marcar uma visão crítica sobre o Brasil. Apropriando-se da voz de seu Virgulino Lampião, Jessier ainda manda um recado a todos os parlamentares. “Político que come uva / em plena safra de manga / vai pra lei dos desperdiço / nas faca dos meus capanga.”.
Nadando contra a maré
Em um país onde a padronização cultural ganha cada vez mais espaço, seja através de fórmulas nacionais ou estrangeiras repetidas à exaustão, a obra de Jessier Quirino deve ser reconhecida como uma trincheira avançada na luta em defesa da cultura nordestina. E essa “nordestinidade” não é apenas a expressão de um regionalismo, mas também a exposição de uma manifestação artística original, repleta de sentidos e significados. O universo matuto de Jessier, formado por costumes sertanejos, arcaísmos e neologismos, coloca o poeta no rastro de grandes mestres da literatura nacional, como Guimarães Rosa e Manuel de Barros.
No combate ao esvaziamento artístico de muitas produções contemporâneas, o poeta e ensaísta Alberto da Cunha Melo reconhece a importância de Jessier. “Talvez prevendo uma profunda transformação no mundo rural, em virtude da força homogeneizadora dos meios de comunicação e das novas tecnologias, Jessier Quirino, desde seu primeiro livro, vem fazendo uma espécie de etnografia poética dos valores, hábitos, utensílios e linguagem do agreste e do sertão nordestinos. Sua obra, não tenho dúvidas, além do valor estético cada dia mais comprovado, vai futuramente servir como documento e testemunho de um mundo já então engolido pela voragem tecnológica.”.
É por estas e outras que a arte de Jessier Quirino é um símbolo de resistência cultural, uma prova de que ainda existem os que nadam contra a maré.
sábado, 18 de dezembro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Esporte
Em 23 de outubro de 1940, na cidade mineira de Três Corações, nascia um Rei chamado Edison Arantes do Nascimento, o Pelé. Ao completar 70 anos, neste sábado (23) o maior jogador de futebol de todos os tempos celebra uma trajetória marcada por lances geniais, dribles desconcertantes, numerosos títulos e gols, muitos gols. Entretanto, a história de Pelé não possui apenas momentos de glória. O homem, ao contrário do mito, pisou na bola em muitas situações, mesmo tendo balançado as redes advesárias 1284 vezes.O início
Filho de dona Celeste Arantes e de João Ramos do Nascimento, conhecido jogador no sul de Minas Gerais, apelidado de Dondinho, em 1945, mudou-se com a família para Bauru (SP). Em homenagem ao inventor Thomas Edison, o pai do futuro Rei escolheu o nome "Edison" para chamar o filho, que ainda era um mortal.
Ainda criança, o menino revelou a vontade de ser jogador de futebol. Ironicamente, o apelido "Pelé" surgiu de um goleiro. Em 1943 o pai de Pelé jogava no time mineiro do São Lourenço. Edison, na época com três anos, ficava bastante impressionado com as defesas do goleiro da equipe do pai e gritava: "Defende Bilé". A partir daí as pessoas mais próximas começaram a chamá-lo de "Bilé". Os amigos do garoto Edison tinham dificuldade para pronunciar "Bilé". O tempo se encarregou de transformar o apelido para "Pelé".
Aos onze a
nos, já jogava no Canto do Rio, um time infanto-juvenil cuja idade mínima para participar era de treze anos. Depois, o pai estimulou o filho a montar o seu próprio time: o nome era Sete de Setembro. Para conseguir bolas e uniformes, os meninos do time chegaram a furtar produtos nos vagões estacionados da Estrada de Ferro Sorocabana para vender em entrada de cinema e praças.Mais tarde, Pelé jogaria no Baquinho, time de maior referência em sua juventude. O time principal era o Bauru Atlético Clube (BAC), da categoria principal da cidade e de onde derivou o nome do time juvenil. O convite para jogar no Baquinho veio do Antoninho, que oferecia até emprego para os jogadores. Foi o Antoninho, ainda, quem dirigiu o primeiro treino do time. Depois, o Valdemar de Brito, famoso jogador do passado e técnico dos profissionais, passou a treinar a equipe. Foi ele quem levou Pelé para a equipe do Santos. Deu no que deu.
Seleção brasileira
Pelé começou sua carreira no Santos FC, em 1956, e disputou sua primeira partida internacional com a seleção brasileira dez meses depois. Nos anos 1960 foi convidado para jogar fora do Brasil, na Europa, mas preferiu ficar no seu clube de coração, o Santos. Depois, Pelé também jogaria pelo New York Cosmos, dos EUA.
Na Copa de 1958, foi convocado com 17 anos e se machucou na véspera da competição, mas Paulo Machado de Carvalho resolveu levá-lo assim mesmo. Estreou no terceiro e decisivo jogo do Brasil, juntamente com Zito e Garrincha. Ele não marcou, mas o Brasil venceu por 2x0 a URSS. Nessa Copa, Pelé foi chamado pelos franceses de "Rei do Futebol", dando início a uma verdadeira lenda internacional, tornando-se uma das personalidades mais conhecidas do mundo durante o século XX. Quatro anos depois, na Copa de 1962, Pelé se machucaria na virilha, no segundo jogo do Brasil. No primeiro ele havia feito um gol. Mas não jogou mais aquela competição.
Em 1966, Pelé foi caçado em campo pelos adversários, que usavam do chamado "Futebol Força" para surpreender o Brasil. Jogou apenas duas das três partidas que o Brasil disputou naquela Copa. Fez sua última partida com Garrincha, na vitória de 2x0 sobre a Bulgária. Juntos, os dois astros nunca perderam uma partida de futebol pela seleção.
No México, na Co
A despedida da seleção ocorreu no Maracanã, no dia 18 de julho de 1971. Com público de 138.575 pagantes o Brasil ficou no 2 a 2 com a Iugoslávia. Em 1974, Pelé formou-se Professor de Educação Física, pela Faculdade de Educação Física de Santos (Universidade Metropolitana de Santos).
Pisadas na bola
Durante o regime militar, deu declaração polêmica dizendo que "o povo brasileiro não sabe votar", o que provocou a reação de políticos na época. Também dedicou a Copa de 1970 à ditadura militar.
Empresário, acusado de negócios fraudulentos, ligado a empresas norte-americanas a tal ponto que chegou a defender a realização da Copa do Mundo nos EUA e não no Brasil.
Quando era Ministro dos Esportes, durante o governo FHC, criou a Lei Pelé, que tinha como objetivo “modernizar” o futebol brasileiro ao transformar os clubes em empresas. A lei facilita a saída dos jogadores de seus clubes, favorecendo as transferências para o exterior.
Foi obrigado a reconhecer judicialmente a paternidade de Sandra Regina Machado, uma de suas sete filhas, morta por um câncer em 17 de outubro de 2006.
Curiosidades
Depois de Pelé, a camisa 10 passou a ser vestida pelo melhor jogador do time, tanto no Brasil quanto no exterior. No time do Santos e no do Cosmos de Nova York, ele utilizava esse número por ser o meia-esquerda. Em sua estreia na Seleção Brasileira, Pelé atuou com a camisa de número 9, a camisa de número 10 ele só começou a utilizar a partir do Mundial de 1958, cuja distribuição da numeração se deu de forma aleatória por um membro da Fifa, posto que, a delegação brasileira havia deixado de fornecer aos organizadores daquele mundial a numeração dos atletas.
Em 1969, Pelé parou temporariamente a guerra civil no Congo Belga, quando, durante excursão pela África, o Santos jogou duas partidas de exibição no país, então dividido pela guerra. Os lados em conflito pararam para ver Pelé jogar.Quando a seleção se concentrou em Guadalajara, para a Copa do Mundo de 1970, a cidade parou. Nos dias de jogos-treinos, antes da estreia, via-se pela cidade um cartaz dizendo: "Hoy no trabajamos porque vamos a ver a Pelé". Dois anos antes, Bogotá já havia passado pelo mesmo quando o Santos fez em El Campín um amistoso com a seleção olímpica colombiana. Uma discussão entre os jogadores resultou na expulsão de Pelé. Mas, no intervalo, dirigentes esportivos e policiais foram informar aos brasileiros que Pelé tinha de voltar. O público o exigia. O árbitro? A pedidos, já fora substituído pelo bandeirinha.
Abaixo, veja imagens do Rei em ação.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Cinema
Amparado por um mega-esquema de distribuição e publicidade, a seqüência do filme Tropa de Elite cravou um recorde no cinema brasileiro ao levar mais de 2,6 milhões de espectadores em seus primeiros dias de exibição. A superprodução traz de volta o personagem que se tornou parte do pop nacional, o protagonista Capitão Nascimento, interpretado com espantoso realismo por Wagner Moura. Tropa de Elite 2 vem sendo apontado como uma profunda inflexão em relação ao primeiro longa. O próprio título já anuncia tal mudança: “O inimigo agora é outro”. E, de fato, nesse filme o foco se altera. Embora ainda vejamos a história sob os olhos e a perspectiva do capitão do Bope, agora a câmera desvia dos traficantes dos morros cariocas para a própria polícia. Mas seria um filme “progressivo”, como muitos vem apontando?
Milícias
Logo de cara, o filme começa com o agora Coronel Nascimento, mais velho, comandando uma ação do Bope para acabar com uma rebelião de presos em Bangu I, desatada por uma briga entre facções rivais. Após deixar uma quadrilha praticamente trucidar a outra, Nascimento pede autorização ao governador do Rio para permitir que seus homens invadam o presídio e “terminem o serviço”, ou seja, aproveitar a oportunidade para eliminar alguns dos líderes do tráfico.
Temendo um banho de sangue e uma repercussão negativa na imprensa, o governador resolve atender a exigência de um dos traficantes, interpretado por Seu Jorge, e manda o ativista de direitos humanos, Diogo Fraga, (muito bem interpretado por Irandhir Santos) a fim de tentar dialogar com os presos. O ativista é o alterego do atual Deputado Estadual do PSOL, Marcelo Freixo. Embora Fraga consiga controlar a rebelião, o Bope invade o presídio e acaba matando o líder da rebelião.
A ação atabalhoada do Bope e a morte de vários presos causam comoção na imprensa e Nascimento é afastado do comando do batalhão. Mas, temendo contrariar alguns setores da classe média que vêem o capitão como um herói, Nascimento não é rebaixado, mas promovido a subsecretário de Segurança Pública.
E é nesse ambiente dos gabinetes que se passa boa parte da história. Nascimento usa seu prestígio para aumentar e equipar o Bope, transformando o batalhão em uma “máquina de guerra”. A repressão acaba com o domínio do tráfico nos morros, mas abre espaço para um outro tipo de crime organizado. E é aí que aparecem as milícias que, na ausência dos grandes traficantes, acabam dominando as comunidades, através de métodos típicos de gangues, e protegidos por uma série de políticos com o próprio governador à frente.
A partir daí, o ex-comandante do Bope se envolve numa luta cujos inimigos não são mais descamisados empunhando fuzis nos morros, mas políticos engravatados nos gabinetes. Fraga, antes visto com desconfiança por Nascimento (que insiste em chamá –lo de “intelectualzinho de esquerda”), torna-se o seu único aliado nessa briga. O maior mérito do filme é, sob essa nova perspectiva, expor as relações entre a polícia corrupta e os políticos (ou o “sistema”, como diz Nascimento). E tem também, compondo essa tríade bizarra, o apresentador fascistóide do jornal sensacionalista na TV, que em frente às câmeras prega o extermínio dos bandidos, mas que por detrás delas apoia a milícia e se elege deputado por meio delas.
Tropa de Elite e o “sistema”
É inegável que esse segundo Tropa de Elite é bem mais complexo que o tosco maniqueísmo pintado no primeiro filme. Mas até onde vai a mudança de foco sugerida pelo diretor? Ele rompe de fato com o ranço fascista do primeiro filme?
Acusar José Padilha de direitista não seria justo, haja visto filmes como Ônibus 174 e o documentário Garapa, sobre a fome. Por outro lado, apesar de inúmeras declarações contrárias do próprio Padilha, não dá para ignorar que Tropa de Elite, o primeiro, flerta sim com o fascismo. A escolha do narrador e, conseqüentemente, da perspectiva pelo qual vamos acompanhar a história, não é algo neutro. Assim, Padilha decidiu contá-la através dos olhos de um policial, para quem a tortura e o assassinato a sangue frio são plenamente justificáveis. Para quem a culpa do tráfico é do usuário de drogas, supostamente responsável por manter e financiar o crime.
Os reflexos do filme na sociedade tornam difícil refutar essa ideia. Os policiais do Bope, romantizados e glamourizados pelo filme, tornaram-se estrelas, a ponto de serem aplaudidos em Ipanema. O caveirão, que invade as favelas e aterroriza a população, acabou se tornando brinquedo de criança. No cinema, cada tiro é comemorado, por vezes de forma efusiva, pelos espectadores. Será que ninguém foi esperto o suficiente para entender as reais intenções do filme, como quis se justificar Padilha? É difícil de engolir.
Já Tropa de Elite 2, constitui uma contundente denúncia contra as milícias e suas ramificações, chegando até certo ponto a questionar o próprio caráter da polícia (nesse sentido, a fala final de Nascimento durante a CPI das milícias não deixa de ser surpreendente). Porém, ele não rompe com os pressupostos do primeiro filme. Fica implícito que o tal “sistema” tão denunciado por Nascimento limita-se à banda podre da polícia e suas extensões parlamentares. Pode-se dizer, assim, que o que Padilha fez, grosso modo, foi aglutinar o discurso da ética na política ao bangue-bangue rasteiro de seu filme anterior.
Desse ponto de vista, não basta ser “faca na caveira”. Tem que também ser “ficha limpa”.
sábado, 9 de outubro de 2010
Sessão Cultural
Por Zeca Baleiro
feito índio na canoa
bicho-de-pé carrapato
tamarindo fruta boa
picada aberta no mato
futebol no sol a pino
felicidade era fato
tosse gripe passa unguento
saci não usa sapato
vida de menino bento
bento monteiro lobato
minha arca de noé
eram bichos nos quintais
porco marreco cabrito
como já não se vê mais
jacaré fugiu do rio
corre que lá vem zás-trás
"tô fraco" grita a galinha
d'angola nhambus guarás
meu quintal faria inveja
a vinícius de moraes.
ZECA BALEIRO, 44, cantor e compositor, nasceu em São Luís (MA), mas passou a infância em Arari (MA). Lembra-se com carinho das festas da cidade, com suas barracas, balões de gás e ciganos (de quem morria de medo!).
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Crônica

Por João Paulo da Silva*
Pior do que isso talvez só Marina Silva, que sem constrangimento algum reivindica Lula e FHC ao mesmo tempo. Dessa forma, fica difícil acreditar em disputa. Em democracia, então, nem se fala. De todo modo, estou convencido de que o correto deveria ter sido a união de Dilma, Serra e Marina em torno de uma única candidatura. É claro que ainda assim não haveria qualquer mudança para o Brasil, até porque o projeto defendido pelos três já foi aplicado antes e não mudou o país. Mas pelo menos seria mais honesto politicamente.
Além das semelhanças siamesas entre Dilma e Serra, outro aspecto dessa campanha vem despertando minha inquietação. Os programas de TV do horário eleitoral estão apresentando um Brasil que eu não conheço. São hospitais, escolas, universidades, estradas, postos de saúde, remédios para todos, geração de empregos, distribuição de renda, salário digno, construção de moradias etc, etc, etc. Tudo funcionando na mais tranqüila e absoluta perfeição. Como assim?! Transformaram o Brasil num país escandinavo e ninguém me disse nada?! Quer dizer que o Haiti não é mais aqui? Agora é a Noruega que é aqui?! Onde estão as favelas e os 52 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza? E as 40 mil crianças que morrem de fome todos os anos? E os mais de 8 milhões de desempregados? Para onde foi todo mundo? Para onde foram os mais de 14 milhões de analfabetos? E os baixos salários? O que fizeram com as filas e as macas nos corredores dos hospitais? E a falta de merenda nas escolas? Onde cargas d’água enfiaram a metade da população brasileira que vive sem tratamento de esgoto? Não há mais pobres nesse lugar? Nem miseráveis? Que país é esse?!
Instigado pelo instinto da investigação jornalística, decidi ir às ruas para ver de perto se o Brasil havia mesmo se transformado na Noruega. Mas nem foi preciso ir muito longe. Bastou dar uma volta no bairro e alguns telefonemas para retornar ao subdesenvolvimento e à tragédia social. Nas proximidades de onde moro, a realidade não havia mudado. As escolas caindo aos pedaços, os postos de saúde sem médicos, o esgoto a céu aberto. Estava tudo lá, do jeito que os brasileiros conhecem. Até o Google Earth eu usei para confirmar se as favelas ainda estavam no mesmo lugar. É claro que estavam. Só senti falta mesmo das condições dignas de vida, que continuam tão distantes quanto a Noruega. Pelo telefone, fontes seguras me informaram que a situação permanecia a mesma em todas as regiões do país. Mamãe, por exemplo, que mora em Maceió, me ligou pedindo dinheiro, já que o salário sempre acaba antes do fim do mês.
O Brasil mostrado nos programas de TV de Dilma e Serra não existe. Aquilo só pode ser Hollywood. Eu não ficaria surpreso se depois das eleições descobrissem que todas as cenas foram gravadas em estúdios da Warner Brothers e que os marqueteiros do PT e do PSDB foram assessorados pelo James Cameron. Efeitos especiais não faltam.
domingo, 12 de setembro de 2010
Sessão Cultural
O último a sair, faça o favor
desligue o interruptor.
quero mergulhar num baú de noites escuras
quero enxergar a cor do som
quero sentir a vida em braile
é no escuro que os brinquedos dançam
pondo medo nas crianças
me deixe dançar com meus medos,
com meus brinquedos,
minhas crianças...
me deixe assustar os monstros
debaixo da minha cama.
e quando o escuro for assustador
quando tudo latejar de dor
e quando nada parecer bom
eu danço um tango com a solidão.
Beatriz Provasi nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1981 - É poeta e atriz. Pertence ao grupo de poesia Madame Kaos, ao lado das poetas, Juliana Hollanda e Marcela Giannini. Beatriz acaba de publicar o livro Esfinge pela Heart-Action Collection e se apresenta com regularidade no CEP 20000 e no Corujão da Poesia.
domingo, 29 de agosto de 2010
Cultura
Aniversário contou com sarau de poesia matuta e café da manhã para os convidados
O lugar é simples e pequeno. Mas honesto e capaz de acolher como uma mãe todos aqueles que produzem e admiram a cultura popular. O nome do espaço não poderia ser diferente, nem melhor. A Casa do Cordel é, realmente, um lar. Uma morada independente e aconchegante para poetas matutos, xilógrafos, artesãos e todo tipo de artista nordestino, que faça de seu universo sertanejo a expressão máxima da resistência cultural do povo.Foi com esse sentimento de resistência que na manhã deste sábado (28) vários cordelistas e leitores da literatura de cordel se reuniram para comemorar os três anos de fundação do único ponto de cultura popular em Natal. Mas o terceiro aniversário da Casa do Cordel também foi marcado por muita emoção e alegria. Regada por um belo café da manhã, a comemoração contou com a participação de muitos convidados importantes e um divertido sarau de poesia matuta.
Entre os cordelistas presentes, desfilaram seus versos gente como Ivan do Cordel, Jadson Lima, Gil Leal, Zé Martins, Maria do Céu, Emanuel Iohanan, Braga Santos, Bob Mota, Manuel Azevedo, Hélio Gomes e Tonha Mota, além de muitos outros. A cada declamação, o público entrava em contato com um lirismo simples, que revelava um pedaço mágico da vida no sertão.
Fundada em 17 de agosto de 2007, a Casa do Cordel mantém seus cordéis e a divulgação da cultura nordestina de maneira independente e sem receber financiamento do poder público. “A Casa do Cordel é um espaço cultural que o Rio Grande do Norte nunca teve. E apesar da dificuldade, de não ter nenhum financiamento público, nem do governo nem da prefeitura, que se omitem e não investem nos poetas, nós conseguimos manter nosso espaço para fazer a cultura popular resistir.”, destacou o xilógrafo Erick Lima.
Além de dar espaço para a produção da poesia matuta e revelar novos talentos, a Casa do Cordel também é pioneira ao levar a arte popular para dentro das escolas e aproximar os jovens do Rio Grande do Norte de suas raízes nordestinas. Um excelente exemplo de que é possível e necessário unir educação e cultura. Vida longa à Casa do Cordel.
domingo, 22 de agosto de 2010
Raul Seixas
Nascido em Salvador, em 28 de junho de 1945, Raulzito cresceu cercado de livros e, ainda adolescente, foi embalado, simultaneamente, pelos xotes e baiões (particularmente de Luis Gonzaga) e o rock de Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry.Conhecido como “maluco” desde a adolescência (principalmente por andar pelas ruas da cidade com trajes e penteado inspirados e seus ídolos norte-americanos), Raul formou sua primeira banda, “Os Relâmpagos do Rock”, em 1962. Transformada em “Raulzito e Os Panteras”, a banda gravou seu primeiro disco em 1964. Diante de um considerável fracasso, Raul transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, a partir de 1970, atuou como produtor dos ídolos da Jovem Guarda, como Jerry Adriani, Trio Ternura e Renato e seus Blue Caps.
O primeiro sucesso veio em 1972, quando a música “Let me sing, let me sing” – uma mistura de rock com baião, que Raulzito interpretou travestido de Elvis Presley – ficou entre as classificadas no VII Festival Internacional da Canção.
Foi no ano seguinte, no entanto, com o lançamento do primeiro disco solo, “Krig-ha, bandolo!” (título inspirado no grito de guerra de Tarzan: “cuidado, aí vem o inimigo”), que Raulzito começou a deixar sua marca na história da música brasileira, com “Metamorfose Ambulante”, “Al Capone” e “Ouro de Tolo”.
Músicas que, com suas letras cheias de referências autobiográficas (cada vez mais marcadas por uma espécie de esoterismo anárquico) e, ao mesmo tempo, recheadas de críticas à sociedade, fizeram de Raul o amalucado porta-voz de um setor da sociedade que buscava alternativas diante da repressão ditatorial, do consumismo capitalista e da mediocrização do ser humano.
Viva a sociedade alternativa!
Essa busca ganhou verdadeiros “hinos” em 1974, com o lançamento do disco “Gita”. Além da música-título e das belíssimas “Medo da Chuva” e “Trem das Sete”, o disco trazia a deliciosamente anárquica “Sociedade Alternativa”, que transformou-se em sucesso imediato entre a juventude.
Compostas com o então “alternativo” Paulo Coelho, as músicas de “Gita” mergulhavam fundo no esoterismo inspirado pelo guru inglês Aleister Crowley e faziam parte de um “projeto” de constituição de uma comunidade em que valesse a máxima “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Uma ousadia que não passou despercebida pela repressão: Raul foi preso e acabou exilando-se nos Estados Unidos.
A volta ao Brasil foi marcada por uma seqüência de discos bem-sucedidos, lançados entre 1975 e 1977, como “Novo Aeon”, “Há 10 Mil Anos Atrás” (o último em parceria com Paulo Coelho), “Raul Rock Seixas” e “O Dia Em Que a Terra Parou”, que, além da música-título, que celebra uma espécie de “greve geral” alimentada por “um sonho de sonhador”, trazia a música que se tornou o verdadeiro sinônimo do artista: “Maluco Beleza”.
Nos anos seguintes, discos como “Mata Virgem” e “Por Quem os Sinos Dobram”, ambos lançados em 1979, ajudaram a consolidar a figura de Raul como um vibrante poeta que, de forma única, sabia versar sobre temas que vão da sensualidade à política, do amor aos fatos do cotidiano.
Cada vez mais celebrado por jovens que, das formas mais distintas, se rebelavam contra a ditadura (seja pela ruptura com os padrões de comportamento, seja pelo engajamento na luta política), Raul respondia à altura, compondo músicas que se transformaram em verdadeiros manifestos de uma época, como “Aluga-se”, que lançada no disco “Abra-te Sésamo” (1980), fazia uma mordaz ironia ao endividamento do país e levava milhões, Brasil afora, a cantar “nós não vamos pagar nada”.
Maluco beleza
Nos anos seguintes, o equilíbrio entre a “maluquez” e a “lucidez” do cantor tornou-se cada vez mais frágil. Vitimado por seu crescente alcoolismo, sua carreira começou a ser cada vez mais marcada por constrangedoras apresentações embriagadas e ausências em shows, que acabavam transformando-se em tumultos.
Com dificuldades em ser aceito pelas gravadoras e boicotado por um enorme setor da mídia, Raul, contudo, continuava fazendo shows antológicos, como as apresentações nos “woodstockianos” festivais de Águas Claras e Iacanga, realizados no interior de São Paulo, entre 1981 e 1984.
Um novo disco, o introspectivo e melancólico “Raul Seixas”, saiu em 1983, mesmo ano em que foi lançado o livro “As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”, uma curiosa mescla de anotações biográficas, contos e delirante história em quadrinhos.
Em 1984, Raul lançou “Metrô Linha 743”, cuja música-título, com versos cortantes como “Eu morri e nem sei mesmo qual foi o mês”, denotavam a amargura do cantor. O último grande sucesso veio com “Cowboy Fora-da-Lei”, lançada em 1987 num disco que trazia o impagável título de “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!”. Os trabalhos seguintes, como “A Pedra do Gênesis” (1988) e “A Panela do Diabo” (lançado em 1989) foram feitos em meio a uma situação de crescente deterioração das condições físicas de Raul, atingido por pancriatite e hepatite crônicas, uma situação que o levou a uma fatal parada cardíaca, em 21 de agosto de 1989.
Autor de frases como “O homem é o único ser que tem o poder de modificar as coisas” e “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade”, Raul Seixas foi uma figura inegualável na história de nossa música e, por isso mesmo, continua sempre atual.
Dotado de uma paixão desenfreada pela vida, de capacidade de “metamorfosear-se” permanentemente e de uma (nem sempre) lúcida maluquez, Raulzito não só marcou uma época, como continua a embalar os corações e mentes de todos aqueles que sonham e lutam por uma sociedade alternativa.
sábado, 7 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Sessão Cultural
sábado, 17 de julho de 2010
Arraiá dos Arretados
Sanfoneiro anima a festa
Sócios compareceram...
e aproveitaram a festa
A advogada do Sinte e do Sindsaúde, Juliana Leite, ao lado da diretora Cristiane Nunes
Diretores dos Núcleos fizeram saudações aos sócios
A diretora do Sinte, Socorro Alves, caiu no forró
O professor Francisco Varela e o diretor do Sinte Alderi Dias
Festa teve sorteio de cestas juninas
Não faltou animação entre os presentes
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Festa

O Sinte e o Sindsaúde de São Gonçalo convidam todos os sócios para o Arraiá dos Arretados. Vai ter churrasco, comida típica, dança e muita animação. Cada sócio terá direito a quatro senhas. Três de churrasco e uma de comida típica. A bebida será a preço de custo. A festa ocorre no próximo dia 16, sexta-feira, às 18 horas, no Clube Auto-esporte.
Ocê é nosso convidado!
domingo, 20 de junho de 2010
Sessão Cultural
sábado, 12 de junho de 2010
Sessão Cultural
Provocações
Luis Fernando Veríssimo
A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pode ir à escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para onde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava.
Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!
Luis Fernando Verissimo nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá, em virtude de seu pai ter ido lecionar em uma universidade da Califórnia, por dois anos. Voltou a morar nos EUA quando tinha 16 anos, tendo cursado a Roosevelt High School de Washington, onde também estudou música, sendo até hoje inseparável de seu saxofone.
É casado com Lúcia e tem três filhos.
Jornalista, iniciou sua carreira no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, em fins de 1966, onde começou como copydesk mas trabalhou em diversas seções ("editor de frescuras", redator, editor nacional e internacional). Além disso, sobreviveu um tempo como tradutor, no Rio de Janeiro. A partir de 1969, passou a escrever matéria assinada, quando substituiu a coluna do Jockyman, na Zero Hora. Em 1970 mudou-se para o jornal Folha da Manhã, mas voltou ao antigo emprego em 1975, e passou a ser publicado no Rio de Janeiro também. O sucesso de sua coluna garantiu o lançamento, naquele ano, do livro "A Grande Mulher Nua", uma coletânea de seus textos.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Congressos em Cena
Plenário do Conclat: mais de 4 mil participantes
Depois da traição das Centrais Sindicais governistas, como a CUT, que se venderam ao governo Lula, a classe trabalhadora, os estudantes e os movimentos populares brasileiros se viram obrigados a construir uma nova ferramenta de luta que pudesse organizar todos os explorados para enfrentar os governos, os patrões e defender o socialismo.
Plenário do Conclat no momento de aprovação de resoluções
Delegados da Educação de São Gonçalo
Socorro Alves ao lado de Ana Célia, delegada do Conclat por Ceará-Mirim
O Conclat foi um congresso amplamente democrático, que reuniu mais de 4 mil participantes e debateu 22 teses, todas tendo o mesmo tempo para defesa. "O Conclat foi muito democrático. Houve espaço para todas as polêmicas serem debatidas, completamente diferente dos congressos da CUT. Entre todos os trabalhadores, a democracia operária deve ser um princípio. O amplo debate e a vontade da maioria devem ser as bases da nova central que nós fundamos.", disse Socorro.
Delegações estrangeiras cantando o hino internacional dos trabalhadores
Coletivo de Artistas Socialistas (CAS) em apresentação durante o Congresso da Conlutas
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Futebol

Para além do talento dos craques no gramado, há muito tempo o futebol se tornou um negócio extremamente lucrativo. O que se passa com o futebol tem a ver com o que ocorre em outros setores da vida social dominados pelo capitalismo, que se apropria de toda criatividade humana para preservar a exploração.
Em países imperialistas, como a Inglaterra, há clubes que tem uma renda anual superior à de países inteiros, como é o caso do Manchester United. O clube britânico movimenta por ano 1,4 bilhões de dólares, um valor que chega bem perto ao PIB de muitos países africanos, como Libéria, Cabo Verde ou Gâmbia.
